Julho 04, 2009

IMPRENSA FALTA COM A VERDADE PARA AJUDAR A OPOSIÇÃO

Na crise do Senado, a imprensa no afã de estimular uma posição majoritária na bancada do PT pelo afastamento do senador José Sarney (PMDB-AP) quer vender a idéia de que o presidente da República impôs ao PT sua posição e enquadrou o partido. Dizem, ainda, que o PMDB ameaçou deixar o governo, o que não aconteceu.

Até porque o PMDB, com exceção de dois senadores - Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE) - tem apoiado Sarney. E ao contrário do que a mídia veicula, a crise reaproximou o PT do PMDB e suas bancadas no Senado.

Como em todo partido democrático que se respeita, o PT discutiu publicamente sua posição. Ouviu seus senadores e suas razões. E, aí, pela governabilidade e sem ingenuidade não entrou no jogo do PSDB e do DEM.

DEM, registre-se, responsável nos últimos 7 anos pela 1ª Secretaria do Senado e fiador do ex-diretor-geral Agaciel Maia. Da mesma forma, o PSDB não tem nenhuma moral enquanto não punir seu líder Artur Virgílio (AM), réu confesso apanhado em flagrante, tendo suas contas pagas por Agaciel; contratando um professor de jiu jitsu pelo seu gabinete; e fazendo deste uma árvore de natal de funcionários de uma mesma família - um destes recebia e estudava na Europa.

Noticiário reflete retaliação contra o PT

Como retaliação ao PT, a imprensa revela sua posição pró-oposição quando trata (ou esconde no noticiário) das denúncias contra o DEM, com provas e mais provas - na verdade, as denúncias contra os oposicionistas são tão graves quanto todas as outras que vieram a público. Todas precisam ser investigadas e seus responsáveis punidos.

O papel do PT agora é reunir os partidos da base do governo e iniciar a reforma do Senado. Resgatá-lo perante a sociedade, mudar radicalmente sua forma de direção e gestão, eliminar privilégios, punir os responsáveis pelas ilegalidades, mantendo-o em funcionamento e aprovando as leis e medidas que o país reclama.

É isso o que o momento político exige e é disso que se trata, e não de (o partido) ser linha auxiliar do PSDB, tão responsável quanto o DEM pela atual situação do Senado da República.

Por ZD

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Patrulha Ideológica

Recentemente a revista Veja junto com a Globo vêm travando uma guerra ideológica e patrulhamento dos livros didáticos que são distribuídos gratuitamente aos alunos pelos governos. A "denúncia" surgiu quando uma mãe disse que o livro da filha tinha conotações politico-ideólogicas marxistas e que isso ela não aceitava. A revista Veja, como era de se esperar, veio com a reportagem e a partir daí o diretor de "jornalismo" da Globo Ali Kamel se juntou ao coro anti-subversivo desses livros.
Os artigos de Kamel e de outros reacionários de plantão que acreditam no que ele e a Veja escrevem fez parecer que voltamos na era do macarthismo. O macarthismo ficou conhecido como a época em que o senador dos EUA Joseph McCarthy perseguia e denunciava qualquer um que ele achasse ter vínculo ou idéias que simpatizavam com o comunismo as quais eram chamadas de subversivas e que foi muito bem retratado no filme de George Clooney chamado Boa Noite Boa Sorte (Good Night Good Luck).

Kamel escreveu e pediu o cancelamento da distribuição dos livros de história que continham "erros" sobre assuntos como o período maoísta na China (o livro não dizia que Mao era responsável pelo assassinato de milhões de chineses), sobre o "sagrado" sistema capitalista e acusou o governo brasileiro de tentar doutrinar os alunos com tal ideologia esquerdista. A partir disso, o jornalista Luis Nassif entrou na discussão e apresentou a verdadeira intenção de Kamel que era a de favorecer a editora que pertence a Globo que teria perdido uma fatia dos milhões de reais que os governos destinam para a compra desses livros.

Vale lembrar que esse livro referido por Kamel fazia 10 anos que estava em circulação e que recentemente já teria sido reprovado e suspendido pela avaliação do MEC e de professores. Quem faz a seleção dos livros didáticos são o MEC e os professores das áreas referidas, portanto, não teria nenhuma interferência do governo na escolha, mas sim pura paranóia guerra fria de Ali Kamel.

Sou professor eventual de biologia da rede pública e já vi alguns livros que são distribuídos que continham muitos erros, mas se eu vou dar aula e os alunos possuem o livro, com certeza identificarei tais erros e corrigirei com os alunos. O mesmo vai ser feito pelos professores de história, pois se o livro tiver tais imprecisões históricas o professor vai saber corrigir isso com os alunos e pronto. Não precisa fazer tempestade em copo d´água como esta fazendo Kamel e seus patrulhas do CCC (comando de caça aos comunistas que existiu na época da ditadura brasileira) na imprensa. Qual será a verdade que Kamel quer que seja passada aos alunos da rede pública? Vai ver seria melhor os professores de história e geografia deixarem de lado esses livros para usar a revista Veja e o jornal O Globo onde Ali Kamel escreve suas asneiras, na sala de aula.

Não sei o porque do alarde de Kamel e outros com medo de isso "contaminar" a mente dos alunos e como ultimamente uma escritora aqui de Piracicaba escreveu que o "mal já foi feito". Que mal seria esse? Seria o mal de ter alunos contestadores do sistema tornando-os subversivos?
Garanto que esses 10 anos que o livro circulou nas escolas, não se formou grupos de estudantes Maoístas revolucionários tentando acabar com o sistema capitalista e nem fez aumentar a filiação do partido comunista no Brasil. Assim os alunos se interessassem e lêssem os livros com o intuito de formar uma ideologia, pois quem sabe assim não teríamos alunos tão apáticos como hoje em dia.

Enfim, essa discussão ainda esta dando o que falar e nada vai adiantar mais uma vez a imprensa vir com mais essa retórica anti-esquerda que adota diariamente para também tentar interferir no processo educacional tentando doutrinar até os professores com essa paranóia.