Dezembro 28, 2008

Denuncia - Ideologia é papel de embrulho em campanha de jornalistas


Está em cartaz em alguns espaços da imprensa brasileira uma epopéia retumbante: o grande combate entre o bem e o mal. Do lado do ‘bem’ estão o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz; o juiz Fausto De Sanctis; pessoas afastadas dos seus ofícios, como o ex-delegado Paulo Lacerda, o ex-juiz Walter Maierovitch e o ex-advogado Dalmo Dallari e um magote de fundamentalistas perdidos pela Internet. Do lado do ‘mal’ estão o presidente do Supremo Tribunal Federal, colegas seus; o juiz Ali Mazloum; setores do governo e do Congresso; a Rede Globo e a Editora Abril e, entre outros, este site.

A bandeira dos benzistas, dizem eles, é a eliminação da corrupção de colarinho branco no país. Ao que se depreende da insistente pregação, isso acontecerá se o banqueiro Daniel Dantas for retirado de circulação. Sempre segundo os neo-idealistas, isso não aconteceu até agora porque Daniel Dantas é “o dono do Brasil”. Ou seja: por meios pérfidos ele tem sob seu comando a turma do mal — o que explica seu continuado sucesso nos negócios, na política, na imprensa e no Judiciário.

Spy X Spy

O criador desse enredo chama-se Luís Roberto Demarco, um homem de habilidades múltiplas. Ele tem atuado como roteirista da Polícia Federal, redator de ações subscritas pelo Ministério Público, pela Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados; e de textos publicados por seus parceiros na imprensa. Ex-sócio do Opportunity, Demarco vende tecnologia e antídoto para anular os venenos de Dantas a seus concorrentes e adversários.

Outra característica de Demarco é o apoio decidido que dá a jornalistas de marca, cuja carreira afunilou e, apesar do talento e do passado, já não encontram tantas oportunidades no mercado. Segundo Paulo Henrique Amorim, juntos, eles criaram a Organização Não Governamental “Brasil Limpo” para amparar profissionais da imprensa que queiram escrever para eles.

Essa luta do bem contra o mal, na vida real, é uma guerra entre grupos econômicos, claro. O troféu da disputa é uma fatia do mercado brasileiro de telefonia avaliada em 30 bilhões de reais por ano. As regras são do tipo vale-tudo.

Imagens invertidas


Pode ser que Demarco e seus parceiros Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif e outros menos freqüentes tenham virado aríetes contra Dantas por razões humanistas. Por idealismo. Ao menos no caso do juiz De Sanctis, essa ressalva é fundamental. Ele e a legião de pessoas que o admiram sinceramente também querem tirar Dantas de circulação por motivos bem diferentes dos que movem os missionários de Demarco. Por isso é essencial tentar entender algumas coincidências e por que o grupo minocarthista resolveu dedicar-se em regime de exclusividade a essa cruzada.

A revista Carta Capital, de Mino Carta, viabilizou-se com apoio financeiro do empresário que se tornaria em seguida presidente do Consórcio Telemar — Carlos Jereissati. Ele foi acusado, em 1998, pelo ex-ministro da Infra-estrutura Luiz Carlos Mendonça de Barros de ser chefe de uma telegangue que comprou do governo a mais capilar das operadoras de telefonia do país com dinheiro do próprio governo. Mendonça de Barros perdeu o emprego com a divulgação de um grampo clandestino. O grampo flagrou confidências e inconfidências de metade do governo FHC, inclusive do presidente da República.

Nos cerca de dez anos que durou a disputa, Jereissati e Dantas se bateram pelo mesmo prêmio. Jereissati ganhou a parada fazendo dobradinha com Sérgio Andrade, um dos donos da Andrade Gutierrez, apontado como o maior doador de fundos para a campanha presidencial de Lula em 2006.

A justiça de primeira instância já condenou o colunista Diogo Mainardi duas vezes por ter afirmado que Mino Carta era subordinado a Jereissati na tarefa de fulminar Dantas. Na verdade, o empresário apenas apoiou financeiramente a revista com um contrato de patrocínio publicitário de dois anos que acabou não sendo cumprido. Os dois parceiros, donos de gênios fortes, acabaram se desentendendo. É quando entra em ação Luís Roberto Demarco.

Ele garante a sobrevivência do projeto com o dinheiro da Telecom Italia e da ala petista gerenciadora dos fundos de pensão — que hoje comandam a Brasil Telecom e, em conseqüência, o iG, provedor que hospeda a revista Carta Capital. Paulo Henrique Amorim também andou por lá e saiu. Segundo o portal, foi afastado porque seu projeto não estava funcionando como se esperava. Ele inaugurou então um novo endereço para o seu blog em domínio virtual de propriedade de Demarco. Para substituí-lo no iG foi chamado Luís Nassif. A característica em comum entre Dantas e os patrocinadores de Mino Carta era a meta: ser cabeça das duas grandes operadoras. Quem eliminasse os outros ficaria com o despojo do inimigo.

Quando os acionistas da Telecom Italia ficaram sabendo que uma montanha de dinheiro fora despejada no Brasil sem a contrapartida esperada, começa (lá) a caça ao tesouro perdido (aqui). Os depoimentos apontam para um propinoduto que irrigou a horta de policiais, de deputados, políticos e, claro, os músicos da orquestra de Demarco.

Teoricamente, os destinos estão selados. O pobre Daniel Dantas, afirma-se na imprensa neutra, receberá algo como 2 bilhões de reais pela “derrota” (venda de sua participação na Telemar e na Brasil Telecom). Ainda não se sabe quanto os donos da BrT e do iG receberão para desocupar as cadeiras que hoje ocupam, mas já se sabe que o portal deverá ser fechado ou vendido pela nova administração. A disputa entre doadores de campanha de Lula e os fundos ainda não terminou. Mas sabe-se que a operação Satiagraha aumentou o poder de negociação dos fundos.

A orquestra de Demarco toca em ritmo de fanfarra para encobrir o ruído incômodo das acusações, certamente injustas, de que seus músicos — e pintores — alugaram seus dotes artísticos para um empresário engolir o outro.

Greta Garbo no Irajá

É o caso de Luís Nassif. Sua aparição repentina nesse cenário atraiu atenção para os motivos de seu afastamento da Folha de S.Paulo. Coube à revista Veja dar a primeira das decepcionantes informações sobre o autoproclamado introdutor do jornalismo eletrônico e de serviços no Brasil. Nassif publicara, com sua assinatura, ao menos um texto escrito por Demarco. O material, uma peça de artilharia contra Daniel Dantas, fora remetido a diversos jornalistas, mas só a coluna de Nassif na Folha o publicou. Sem esclarecer que era um relise.

O segundo golpe veio com a revelação de que o repentino e eloqüente apoio do jornalista ao governo tinha motivação extra-ideológica: um empréstimo de 4 milhões reais do BNDES que, como não foi saldado, teve uma parte perdoada e outra alongada para um prazo de dez anos.

Mais. Outra notícia — confirmada pelo próprio diretor do jornal, Otavio Frias Filho — indicou que Nassif negociava o seu espaço editorial na Folha, mas quem ficava com a verba era a empresa Dinheiro Vivo, de propriedade do jornalista. O exemplo dado envolveu o então secretário de segurança Saulo de Castro.

Uma pesquisa cruzando o banco de dados da Folha de S.Paulo com o portal de pagamentos feitos pela administração direta federal (Siafi), mostra uma sucessão de pagamentos recebidos do governo federal. Com uma coincidência: os órgãos pagadores eram elogiados ou tinham seus interesses defendidos por Nassif na Folha.

Há um número considerável de odes e elegias ao BNDES. Mas não é o único caso. No dia 27 de janeiro de 2006, o colunista da Folha publicou no jornal de Frias um panegírico do Ministério da Ciência e Tecnologia (Clique aqui para ler — acesso restrito para assinantes UOL ou da Folha) e defendendo freneticamente, de forma pouco comum, o papel da pasta. Segundo o Siafi, a empresa Dinheiro Vivo — Agência de Informações recebeu do Ministério da Ciência e Tecnologia a quantia de R$ 15.930,00 e outros R$ 16.130,00 da Agência Nacional de Petróleo.

Em duas datas de 2004 (30 de março e 15 de junho), Nassif, na Folha, destacou a importância do Inmetro com entusiasmo especial. O colunista sugeriu ao governo expandir o papel do Instituto para o campo da pesquisa, de forma a transformá-lo no “Nist brasileiro”, em referência ao National Institute of Standards and Technology dos Estados Unidos. O colunista se mostra aflito com a possibilidade de o governo criar um órgão que diminua os poderes do Inmetro e chega ao delírio dizendo que o órgão público é “uma das principais armas competitivas de que dispõe o país” (Clique aqui para ler — acesso restrito para assinantes UOL ou da Folha). Coincidentemente, o Inmetro destinaria à Dinheiro Vivo Consultoria Ltda. a quantia de R$ 15.000,00 (Clique aqui para conferir), acompanhados de outros R$ 7.910,00 do Ministério das Cidades (Clique aqui para conferir). A “ação de governo” que justificou o pagamento à empresa de Nassif não é um serviço normalmente oferecido por jornalistas: “controle metrológico”.

Luís Nassif é autor da proposta de que jornalistas de aluguel que usam a profissão para influir em jogadas empresariais devem ser enquadrados por formação de quadrilha (Clique aqui para ler). A proposta foi lançada pelo blogueiro no dia 29 de abril de 2008 — três dias depois da publicação do furo de reportagem de Andrea Michael na Folha de S.Paulo que o delegado Protógenes Queiroz usou para criminalizar a notícia. A sugestão ou presságio de Nassif, na opinião de Mino Carta, é coisa de quem entende de formação de quadrilha. Já o delegado, pelo que se vê, gostou da idéia.

Noves fora

Jornalistas não precisam ser imparciais. Mas convém que sejam honestos. É impossível proibir a troca de favores ou a lealdade a fontes. O dinheiro não é um corpo estranho na relação entre empresas, governos e jornais, blogs e revistas — a partir do momento em que os veículos de comunicação o recebem de personagens das notícias pelas portas do departamento comercial. O desejável é que não se misture publicidade com informação jornalística. Quando um órgão de informação passa a trabalhar a favor ou contra empresário, político ou empresa, seria conveniente que informasse frontalmente seus motivos. A Folha de S.Paulo, há muitos anos, instituiu a prática de aceitar convites de promotores de eventos, mas revela o patrocínio com naturalidade.

No caso da revista Carta Capital, de Nassif, de Paulo Henrique Amorim e demais parceiros coordenados por Demarco, isso não é feito. Eles cumprem um papel claro e definido com naturalidade, porque dizem acreditar estar combatendo um personagem nefasto e defendendo o aprimoramento institucional do país. Sem informar seus leitores que estão ganhando para fazer pregação.

Por Márcio Chaer

Dezembro 22, 2008

Processo contra o jornalista iraquiano começa dia 31


O processo contra o jornalista iraquiano que no último dia 14 lançou seus sapatos contra o presidente norte-americano, George W.Bush, começará no dia 31 de dezembro, informou nesta segunda-feira (22) o juiz instrutor do caso. "A investigação terminou e o resultado foi transmitido à Corte Criminal Central do Iraque. O processo começará na quarta-feira 31 de dezembro", disse o juiz Dhiya al Kenani.

"Não modificamos a acusação contra (o jornalista) Montazer al Zaidi", que será julgado por crime "contra um chefe de Estado estrangeiro em visita oficial", acrescentou.

Al-Zaidi poderia ser condenado, segundo o código penal iraquiano, de 5 a 15 anos de prisão.

Por Ansa

Dezembro 12, 2008

Contorcionistas - O padrão de jornalismo-cafajeste


Ao longo dos últimos seis anos, assisti à oposição fazer de tudo para desacreditar o presidente que eles não conseguiram derrubar. Disseram que ele traiu seu projeto social — e ele criou o Bolsa Família e os programas de inclusão produtiva.

Chamaram-no de bêbado — e a sobriedade com que conduziu o país impressionou a todos. Chamaram-no de despreparado — e com ele o Brasil passou a ter uma proeminência internacional que está matando Fernando Henrique Cardoso de inveja e despeito, aos pouquinhos. Chamaram-no de analfabeto — e ele criou o ProUni. Vi gente esculhambando cada área do governo de Lula: a economia, as políticas sociais, a política externa. E no entanto, nesses mesmos seis anos, o Brasil que eles nunca quiseram ver ou entender emergiu e iniciou um processo de consolidação. Queiram ou não os apóstolos do mercado que neste exato momento desaba, Lula criou um país melhor, mais sólido e, principalmente, mais justo.

Lula venceu. E a oposição jamais vai conseguir admitir que, do pedestal de sua arrogância, de sua escolaridade, perdeu para um pau-de-arara de Garanhuns, que mostrou que não era ela a mais preparada para dirigir um país do tamanho do Brasil. E por não entender isso, por discordar do projeto de país encabeçado por Lula, essa oposição se perdeu completamente, pregou o golpe às vésperas da eleição, apostou na mentira e no engodo, se recusou a admitir que o país estava melhorando.

Por Jair

Dezembro 07, 2008

O maior crime da mídia brasileira

Escolha qual dos crimes que descreverei abaixo você considera o pior:

1 - fazer pessoas se envenenarem com medicamento controlado.

2 - provocar dramas econômicos nas vidas das pessoas.

Fica difícil decidir, não é mesmo? O crime 1 pode matar, mas e o 2?

Acho o segundo tipo de crime pior. Os dramas econômicos provocam muitos outros nas vidas das pessoas. Alguém em situação econômica muito difícil pode cometer crimes. A dificuldade em encontrar trabalho pode levar ao crime. E crimes também geram mortes.

A mídia cometeu e comete os dois crimes supra mencionados.

No início deste ano, a mídia levou milhões de pessoas a se vacinarem sem necessidade contra a febre amarela ao fazer prevalecer a crença em que haveria uma epidemia dessa moléstia no país. Como a vacina contra a doença é perigosa, dezenas de pessoas adoeceram gravemente e pelo menos duas pessoas morreram por tomarem o medicamento sem necessidade depois de terem sido alarmadas pela mídia.

Agora, os grandes meios de comunicação - que todos sabem quais são - tentam provocar uma queda maior da atividade econômica, de forma a impedir que o governo Lula obtenha um ativo eleitoral que inviabilizaria a vitória do grupo político específico ao qual esses meios se aliaram no fim do século passado.

Não estou inventando nada. A própria guerra de previsões sobre a crise que governo e mídia travam mostra que estou certo.

Enquanto os meios de comunicação veiculam previsões pessimistas sobre os efeitos da crise no Brasil como se fossem fatos e transformam qualquer notícia negativa em comprovação tácita de que esse tipo de previsão é o que vai vingando, Lula e sua equipe vão tratando de dizer o contrário e pedindo às pessoas que não parem de consumir. Porém, timidamente.

Os problemas que estão surgindo na economia são todos previsíveis e previstos efetivamente. Todos sabiam que as economias americana e européia já estavam em recessão técnica. Os dados oficiais sobre o recuo dessas economias apenas confirmou o que já se sabia. A crise começou faz mais de um ano.

Todos sabiam que haveria recuo na atividade industrial por aqui. Houve - e ainda há - um problema de crédito no Brasil por conta da seca nas linhas de crédito no exterior. E qualquer um que trabalhe em qualquer empresa sabe que houve uma diminuição brusca nos negócios, não por conta de algum fator concreto, mas devido à "cautela" que os agentes econômicos adotaram diante das notícias e dos fatos no mundo rico.

Quando as pessoas físicas e jurídicas já começavam a não ver tanta crise assim e, aqui e ali, já começavam até a desqualificar a gravidade da crise em razão dos números da economia recém-divulgados, números que deram conta de que, ao menos estatisticamente, a crise ainda não teria chegado aqui, a mídia voltou a noticiar o que já se sabia que aconteceria como se fossem fatos novos.

Comparações sem sentido entre hoje e o passado tentam fazer parecer que o país está tão vulnerável hoje quanto estava na última grande crise econômica, a de 1999, quando o governo FHC, depois de passar a campanha eleitoral do ano anterior, na qual se reelegeu, prometendo a manutenção do dólar congelado, teve que promover uma maxidesvalorização do real, do que decorreu uma catastrófica queda da atividade econômica, com desemprego, aumento da pobreza, da desigualdade, da criminalidade e da violência.

Uma estratégia malandra foi vista ontem, quando , no fim da tarde, os grandes portais de internet passaram a divulgar que a Vale demitira 1300 funcionários e a Votorantim duas centenas deles, que depois caíram para uma centena e pouco nos jornais de hoje.

Os telejornais deitaram e rolaram em cima das demissões da Vale. Só para quem se aprofundou na notícia, porém, foi possível saber que as 1300 demissões na empresa foram ao redor do mundo e não apenas no Brasil, ainda que a maior parte dos demitidos seja de brasileiros.

No caso das duas empresas, ambas tiveram redução das atividades por conta de cancelamento de pedidos de grandes clientes no exterior. Ora, quem não sabia que haveria queda de atividade nas empresas que dependem muito de exportações?

A mídia, porém, apresenta as demissões nas duas empresas como se fossem indício de que todas as empresas demitirão, o que desejo afirmar aqui, peremptoriamente, que não acontecerá - e peço que me cobrem se houver alguma alta importante do desemprego nos próximos meses.

O que acontece é que a capacidade da queda da atividade econômica ao redor do mundo de gerar problemas ao Brasil, é bastante limitada. Haja vista que as exportações respondem por apenas 13% do PIB brasileiro.

Por outro lado, a valorização do dólar deverá dar uma forte contribuição a muitos setores da economia que vinham tendo graves problemas para competir com produtos importados.

Vejam só o que estava ocorrendo no segmento em que atuo, o de autopeças. Tomemos como exemplo um produto como pastilhas de freio. As produzidas na China estavam invadindo o país e já começavam a inviabilizar a produção nacional do produto. Agora, todas essas indústrias que vinham tendo queda de vendas por conta dos importados, ganharão fôlego.

Ainda no sentido de ressaltar dados sobre a economia que muitos desconhecem e que, por isso, não entendem por que os problemas que poderemos enfrentar não nos causarão tantos danos quanto no passado, vale reproduzir dados comparativos entre a economia do país na crise de 1999 e nesta.

Em 1999, as exportações brasileiras somavam US$ 50 bilhões. Hoje, são quase quatro vezes maiores, US$ 198 bilhões.

O saldo da balança comercial (diferença entre exportações e importações) era de US$ 6,6 bilhões negativos; hoje, está positivo em US$ 26 bilhões.

O PIB brasileiro, em 1999, era de cerca de US$ 600 bilhões, hoje é de US$ 1,4 trilhão.

A receita da conta-corrente, total de entrada e saída de dólares do país, era de US$ 64 bilhões em 1999, atualmente é de 245 bilhões.

Mas é no déficit em conta-corrente que se vê a grande diferença. Em 1999, havia um déficit de 4,1% do PIB; hoje, o déficit, que há alguns meses não existia, é de 1,8%, mas ocorreu devido a fatores diametralmente diferentes dos de 9 anos atrás.

Naquela época (1999), houve fuga de capital devido à quebra do Brasil, que então batia às portas do FMI e dos EUA para pedir US$ 40 bilhões emprestados, porque, conforme FHC ia queimando nossas reservas para que os Salvatores Cacciolas da vida retirassem seus dólares do país, essas reservas iam derretendo.

Antes do empréstimo do FMI, chegamos a ter apenas 16 bilhões de reservas em dólares, insuficientes para financiar até uns poucos meses de exportações. Hoje, temos US$ 200 bilhões de reservas.

E hoje há uma diferença fundamental para a saída de dólares do país, que a mídia alardeia que bateu nos US$ 7,2 bilhões no mês passado: enquanto ontem os dólares fugiam daqui por medo daqui, hoje eles saem daqui para irem socorrer os investidores estrangeiros nos países nos quais, ao contrário daqui, eles perderam dinheiro.

Contudo, apesar desse aumento das remessas de dólar ao exterior, que inclusive é maior mesmo nos fins de ano, no mês de outubro entraram US$ 3,9 bilhões de investimentos estrangeiros no Brasil, e não em especulação financeira - como era regra em 1999 - mas em setores produtivos.

Enquanto que em 1999 o percentual da dívida pública versus PIB respondia por cerca de metade das riquezas produzidas no país em um ano, hoje essa relação está em 36%, o menor nível em SESSENTA ANOS (!), e isso porque, tecnicamente, o Brasil não tem mais dívida externa, pois têm mais a receber do exterior do que tem a pagar.

Quando digo que a crise não nos pegará com muita força e que o governo Lula pode se consagrar no ano que vem - e comecei a dizer isso quando todos diziam o contrário, até membros do próprio governo -, não é sem razão. Tenho fortes motivos de convicção, motivos que não se limitam apenas à teoria mas também à prática de minha atividade profissional, que se encontra num dos setores mais afetados pela crise, o de exportações.

Porém, a estratégia da mídia pode, sim, vir a gerar problemas para o país. As decisões de suspensão de investimentos que empresários alarmados podem tomar certamente teriam efeito sobre a economia. E essa é uma área onde é perigoso brincar, pois o efeito dominó pode acabar transformando um problema perfeitamente contornável numa redução da atividade econômica que pode pôr o país inteiro em dramas econômicos.

É por isso que o governo Lula e seu titular vêm lutando contra o discurso midiático. Não há um dia em que Lula ou seus ministros não contestem as previsões catastrofistas e as tentativas da mídia de transformar problemas localizados em tendências, pois quando diz que "já há demissões" sinaliza que outras virão, ainda que não se tenha a menor indicação de que haverá aumento do desemprego ou que haverá uma queda mais expressiva na atividade econômica.

Está em curso uma guerra de previsões entre o governo e a mídia. Esta, acha que para ajudar o governador José Serra a chegar mais forte a 2010 precisa fazer com que a crise se agrave, pois a popularidade de Lula é que definirá se ele conseguirá transferir votos para a ministra Dilma Roussef e a mídia acredita que se mostrar que o Brasil só vinha bem até aqui porque "não havia" crise, diminuirá a popularidade do presidente.

Minha recomendação às pessoas é a de que combatam o catastrofismo e o pessimismo. Aí, logo acima, estão dados que devem ser divulgados para que as pessoas entendam o contexto do país na crise.

Está em curso o maior crime que a mídia já cometeu contra o país e, assim, cabe a cada um dos cidadãos responsáveis lutar contra ela. Porém, o governo precisa aumentar o tom de seu discurso, pois a gritaria da mídia sobre a crise está cada vez mais ensurdecedora. Estamos fazendo a nossa parte. Eu, pelo menos, estou tentando fazer a minha. Mas Lula tem que nos ajudar.

Por Eduardo Guimarães

Patrulha Ideológica

Recentemente a revista Veja junto com a Globo vêm travando uma guerra ideológica e patrulhamento dos livros didáticos que são distribuídos gratuitamente aos alunos pelos governos. A "denúncia" surgiu quando uma mãe disse que o livro da filha tinha conotações politico-ideólogicas marxistas e que isso ela não aceitava. A revista Veja, como era de se esperar, veio com a reportagem e a partir daí o diretor de "jornalismo" da Globo Ali Kamel se juntou ao coro anti-subversivo desses livros.
Os artigos de Kamel e de outros reacionários de plantão que acreditam no que ele e a Veja escrevem fez parecer que voltamos na era do macarthismo. O macarthismo ficou conhecido como a época em que o senador dos EUA Joseph McCarthy perseguia e denunciava qualquer um que ele achasse ter vínculo ou idéias que simpatizavam com o comunismo as quais eram chamadas de subversivas e que foi muito bem retratado no filme de George Clooney chamado Boa Noite Boa Sorte (Good Night Good Luck).

Kamel escreveu e pediu o cancelamento da distribuição dos livros de história que continham "erros" sobre assuntos como o período maoísta na China (o livro não dizia que Mao era responsável pelo assassinato de milhões de chineses), sobre o "sagrado" sistema capitalista e acusou o governo brasileiro de tentar doutrinar os alunos com tal ideologia esquerdista. A partir disso, o jornalista Luis Nassif entrou na discussão e apresentou a verdadeira intenção de Kamel que era a de favorecer a editora que pertence a Globo que teria perdido uma fatia dos milhões de reais que os governos destinam para a compra desses livros.

Vale lembrar que esse livro referido por Kamel fazia 10 anos que estava em circulação e que recentemente já teria sido reprovado e suspendido pela avaliação do MEC e de professores. Quem faz a seleção dos livros didáticos são o MEC e os professores das áreas referidas, portanto, não teria nenhuma interferência do governo na escolha, mas sim pura paranóia guerra fria de Ali Kamel.

Sou professor eventual de biologia da rede pública e já vi alguns livros que são distribuídos que continham muitos erros, mas se eu vou dar aula e os alunos possuem o livro, com certeza identificarei tais erros e corrigirei com os alunos. O mesmo vai ser feito pelos professores de história, pois se o livro tiver tais imprecisões históricas o professor vai saber corrigir isso com os alunos e pronto. Não precisa fazer tempestade em copo d´água como esta fazendo Kamel e seus patrulhas do CCC (comando de caça aos comunistas que existiu na época da ditadura brasileira) na imprensa. Qual será a verdade que Kamel quer que seja passada aos alunos da rede pública? Vai ver seria melhor os professores de história e geografia deixarem de lado esses livros para usar a revista Veja e o jornal O Globo onde Ali Kamel escreve suas asneiras, na sala de aula.

Não sei o porque do alarde de Kamel e outros com medo de isso "contaminar" a mente dos alunos e como ultimamente uma escritora aqui de Piracicaba escreveu que o "mal já foi feito". Que mal seria esse? Seria o mal de ter alunos contestadores do sistema tornando-os subversivos?
Garanto que esses 10 anos que o livro circulou nas escolas, não se formou grupos de estudantes Maoístas revolucionários tentando acabar com o sistema capitalista e nem fez aumentar a filiação do partido comunista no Brasil. Assim os alunos se interessassem e lêssem os livros com o intuito de formar uma ideologia, pois quem sabe assim não teríamos alunos tão apáticos como hoje em dia.

Enfim, essa discussão ainda esta dando o que falar e nada vai adiantar mais uma vez a imprensa vir com mais essa retórica anti-esquerda que adota diariamente para também tentar interferir no processo educacional tentando doutrinar até os professores com essa paranóia.