
As eleições municipais se aproximam e a mídia, como sempre, tenta manipular a sociedade na tentativa de fazer prevalecer os candidatos que lhe interessa que vençam.
Além das conhecidas estratégias midiáticas de inflar ou diminuir notícias negativas ou positivas para os candidatos em benefício de alguns deles, pode estar em curso uma estratégia que acho que já foi usada outras vezes pelos panfletos político-ideológicos das famílias Marinho, Civita, Frias, Mesquita e assemelhadas.
Como vocês sabem, os institutos de pesquisa são apêndices da imprensa golpista de direita. Ibope e Datafolha, por exemplo. Não me espanta, pois, o que podem estar fazendo.
Tenho ao menos uma evidência concreta de uso de pesquisas para induzir o eleitorado. No fim de 2005, no auge do “escândalo” do suposto “mensalão”, Ibope e Datafolha falsificaram uma expressiva queda de popularidade de Lula. Cerca de um mês depois, em janeiro de 2006, pesquisa CNT-Sensus mostrou disparada das intenções de voto em Lula.
Durante o período da “queda” de Lula e de sua espetacular “recuperação” só aconteceram as festas de fim de ano. Nada explica, até hoje, aquela “recuperação” espantosa da popularidade do presidente, pois naquele período nada aconteceu.
A partir dali, formei a convicção de que não é só nos países nossos vizinhos que os institutos de pesquisa da direita falsificam resultados para favorecer os candidatos conservadores. Tenho ao menos uma evidência de que, neste ano, a manipulação das pesquisas voltou a ocorrer. Essa evidência está no processo eleitoral de São Paulo.
Por certo há casos por todo o país, mas não tenho como falar sobre outras cidades porque não lhes conheço as realidades. Assim, usarei o exemplo de São Paulo. Além disso, se eu discorresse sobre Recife, por exemplo, desagradaria o leitor de Porto Alegre, e por aí vai.
Aqui em Sampa, descobriu-se que a mídia, mais do que tucana, é serrista. Acredite quem quiser: o governador José Serra, em São Paulo, virou uma instituição. A mídia está atacando até o companheiro de partido dele, Geraldo Alckmin, para privilegiar seu pupilo ultraconservador Gilberto Kassab.
E, desta vez, a manipulação de pesquisas parece ser a estratégia escolhida, em detrimento da estratégia surrada de “desconstrução” dos adversários do político beneficiário das manipulações eleitorais midiáticas.
A uma semana das eleições municipais em primeiro turno, uma análise das pesquisas Ibope e Datafolha, que vêm sendo divulgadas semanalmente já há algum tempo, mostra que as tendências dessas sondagens, tendências insinuadas pelas “margens de erro”, jamais se consolidam.
Ora, se durante três, quatro pesquisas consecutivas a tendência que aparece é de subida ou descida deste ou daquele candidato, teria que haver a materialização dessa tendência em números fora da “margem de erro”, mas os resultados, que favorecem o candidato da mídia, Gilberto Kassab, ficam sempre dentro da tal margem.
Faz cerca de um mês divulguei aqui um alerta sobre pesquisas para a campanha de Marta Suplicy, na esperança de que seu marido, Luis Favre, que deve ler o Cidadania porque já reproduziu textos meus em seu blog, lesse e passasse o texto ao comando da campanha de sua mulher ou a ela mesma.
A tranqüilidade que Marta vem exibindo pode significar que o comando de sua campanha já fazia ou passou a fazer o que recomendei, ou seja, fazer pesquisas paralelas por conta da inconfiabilidade dos números do Datafolha e do Ibope.
Daqui a exatos sete dias, se o que acredito que pode estar acontecendo estiver realmente acontecendo, ou os resultados da eleição em primeiro turno divergirão das projeções do Datafolha ou do Ibope que colocam Kassab à frente de Alckmin e que mostram que Marta perde para ambos no segundo turno “dentro da margem de erro”, ou as pesquisas que antecederão o pleito apresentarão uma alteração dentro dessa “margem” que recolocará as coisas em seu lugar.
Provavelmente o mesmo deve estar acontecendo em várias outras cidades e se alguém tiver conhecimento de casos similares e quiser relatá-los aqui, terá espaço neste post, ou seja, reproduzirei outras denúncias sobre manipulações parecidas.
Não sei até que ponto as manipulações de pesquisas estão ocorrendo, mas acredito que, a partir de determinado nível de manipulação, crimes eleitorais poderão estar sendo cometidos, o que permite que, na condição de presidente da ONG Movimento dos Sem Mídia, eu cogite fazer representação à Justiça Eleitoral para que se investigue.
Do Cidadania.com


