Junho 23, 2008

Morte de um paradigma !?

Até para o cidadão sem convicções políticas e ideológicas arraigadas não faz sentido o polêmico comentário da festejada (pela mídia) Lucia Hippolito na rádio CBN, sobre o “mal” que Lula teria feito ao país ao se eleger presidente da República sem ter ocupado antes outro cargo no Poder Executivo.

Suponho que, à esta altura, a grande maioria dos que lêem este blog já tomou conhecimento de que a comentarista política comparou o técnico da Seleção brasileira de futebol, Dunga, com o presidente Lula. Por via das dúvidas, no entanto, esclareço que ela debitou as últimas derrotas da Seleção à inexperiência do técnico, que nunca tinha exercido o cargo antes, e insinuou que o governo do país está sendo um fracasso porque o presidente, como Dunga, não tinha experiência administrativa quando se elegeu para o cargo que ocupa.

Por que digo que, para qualquer pessoa que analise o comentário dessa senhora pelo seu conteúdo e não pelas próprias convicções políticas e ideológicas, esse comentário não faz sentido? Ora, porque, que se saiba, o Brasil não foi derrotado como a Seleção. Pelo contrário, o país está vencendo. Nem vou perder o meu e o vosso tempo justificando esta afirmação. Qualquer um que diga que o país piorou sob Lula vive no mundo da Lua, e argumentar com quem se encontra nessa situação mental é pura perda de tempo.

A teoria de Hippolito, analisada pelo seu conteúdo literal, é a de que Lula fez “mal” ao país ao mostrar que alguém sem experiência administrativa pode chegar a presidente. Quem concorda com essa afirmação deveria se lembrar de que Fernando Henrique Cardoso tampouco tinha ocupado algum cargo no Poder Executivo antes de se eleger presidente. Será que a comentarista acha que FHC fez mal ao país também? Claro que não, ela trata a chegada de Lula à Presidência como se ele fosse o primeiro presidente a chegar ao poder sem ter sido antes prefeito ou governador.

Por que Hippolito não disse que Lula e FHC fizeram mal ao país por terem chegado à Presidência “sem experiência administrativa”, mencionando apenas Lula? Ora, porque FHC tem curso superior e Lula não tem, é óbvio. No fim das contas, é aquele antigo preconceito que sempre foi usado para impedir a eleição do ex-metalúrgico como presidente da República.

Em que a falta de curso superior do presidente atrapalhou seu governo? É possível dizer que FHC governou melhor do que Lula? Duvido de que até o mais lulofóbico dos lulofóbicos diga que o governo tucano foi melhor do que está sendo o governo petista. Simplesmente os lulofóbicos dizem que os êxitos de Lula são, na verdade, êxitos de FHC e pronto.

Ora, mas se Lula, como querem os críticos de sua Presidência, está apenas mantendo o que fez o antecessor, por que ele fez mal ao país? Se é verdade – e não é verdade - que Lula passou os últimos quase seis anos copiando FHC e, seguindo suas metas, conduziu o país aos êxitos sociais e econômicos reconhecidos no mundo inteiro, sua falta de experiência administrativa anterior e sua falta de curso superior não lhe constituíram obstáculos.

Acho difícil que Hippolito não tenha pensado nisso. Suas declarações, portanto, constituem uma espécie de pirraça destinada a agradar aos pirracentos que teimam em negar que Lula governa bem mesmo sem experiência anterior e curso superior.

Hippolito é apenas um dos muitos tentáculos da mídia, mas essa sua recente declaração mostrou que ela é um dos tentáculos mais incompetentes. Até para distorcer ela é ruim. Há tantas críticas pertinentes que poderiam ser feitas a este governo sem apelar para o preconceito e essa senhora escolhe a mais surrada e inverossímil de todas. Pessoas sensatas que a ouviram, mesmo as que não gostam de Lula perceberam a estratégia pífia e incompetente da comentarista para fazer luta política na concessão pública da CBN.

A pirraça da mídia em relação a Lula ocupará gerações de historiadores. Caracterizará um capítulo da história em que um poderoso paradigma foi completamente destruído, o paradigma que vincula competência a instrução formal.

Por Eduardo Guimarães

Junho 19, 2008

Modus Operandi - Em ano eleitoral, Globo vende prefeito ético

O colunista Daniel Castro informa as últimas maracutais Global. Conta ele que a TV Globo está oferecendo a anunciantes oportunidades de merchandising em uma trama política de "A Favorita". O plano comercial da novela informa que o dentista Elias, personagem de Leonardo Medeiros, será eleito prefeito da fictícia cidade de Triunfo, derrotando Didu (Fabrício Boliveira), filho do corrupto deputado Romildo Rosa (Milton Gonçalves). Na semana passada, Elias, que atende pessoas carentes gratuitamente, salvou crianças de um incêndio.

Segundo o plano comercial, Elias "faz de tudo para ver o crescimento da cidade. Quando na prefeitura, fecha acordos e parcerias com várias empresas, as melhores do mercado, sempre visando o melhor para o município e seus cidadãos". Trata-se de sugestões para organizações que tenham interesse em relacionar suas marcas a boas gestões públicas.

A eleição de Elias coincidirá com a campanha eleitoral. Ou seja, a novela da Globo deverá ter embate entre político ético e político corrupto logo após o horário eleitoral gratuito.

Por: Helena™

Junho 12, 2008

Caso Escola Base: Após 14 anos, Grupo Folha é condenado

"Perua escolar carregava as crianças para a orgia". O Grupo Folha da Manhã - que edita a Folha de S. Paulo - até tentou convencer o Tribunal de Justiça de São Paulo de que se limitou a reproduzir as informações oficiais do caso Escola Base, na matéria que tinha o título acima, publicada no extinto Folha da Tarde, mas não foi o que entendeu a turma julgadora.

A empresa terá que pagar R$ 200 mil de indenização por danos morais para R.F.N., hoje com 18 anos e na época com apenas quatro, filho de um dos casais acusados de abusar sexualmente de crianças numa escola de São Paulo, em 1994, e requerente da ação.

"A conduta do jornal, juntamente com outros órgãos de imprensa, contribuiu para criar uma situação anormal, não experimentada não só para os adultos envolvidos", afirmou em seu voto o desembargador Odemar Azevedo.

A Folha da Tarde se baseou nas informações passadas pelo delegado que conduziu o inquérito policial e de depoimentos de duas mães de alunos. Os desembargadores Odemar Azevedo, Mathias Coltro e Oscarlino Moeller consideraram a manchete sensacionalista e que extrapolou o direito de informar, além de atingir a esfera moral da criança.

A decisão é de segunda instância e cabe recurso. A Folha e o Estadão também foram condenados pelo que publicaram, tendo que pagar R$ 750 mil. A Globo foi condenada a pagar indenização de R$ 1,35 milhão. Já a IstoÉ teve de pagar R$ 360 mil. Para todas as empresas cabe recurso.

Vermelho.org com informações do Comunique-se e do Consultor Jurídico

Junho 05, 2008

PIG tenta ressuscitar novo "dossiê" com falso escândalo da Varig

Ontem, vilã no PIG. Hoje, bastou falar mal do governo, para tornar-se a nova heroína do PIG.Está faltando originalidade na fábrica de escândalos do PIG.

É compreensível, afinal os tucanos paulistas estão feridos de morte com o escândalo ALSTOM, e precisam mudar de assunto de qualquer maneira, senão o PSDB acaba antes do previsto (2011).

Agora, a antes vilã número 1 do PIG, Denise de Abreu, ex-diretora da ANAC, a ex-bruxa malvada do "caos-aéreo", virou a heroína do PIG, quando abre sua metralhadora destrambelhada contra a ministra Dilma Rousseff, a acusando de pressionar pela venda da Varig.

O cheiro de "armação" é forte demais, para só os tolos e crédulos leitores do PIG acreditarem nisso.

É fácil perceber quando lemos o final da entrevista. Ali percebe-se claramente a construção do novo factóide:

Estadão pergunta: - A sra. diz que foi vítima de um dossiê falso. Como foi?


Denise Abreu: - Um mês depois da minha saída da Anac, recebi um envelope na casa da minha mãe. Foi preparado como um dossiê, só com informações falsas. Fui ao meu advogado e pedi para que a documentação fosse levada para a Polícia Federal investigar quem elaborou o dossiê. Demos entrada na PF e o caso foi remetido à Polícia Civil de São Paulo, para investigar crimes de calúnia e tentativa de extorsão.

Estadão: - O que tinha no dossiê?

Denise Abreu: - O dossiê diz que eu teria contas no Uruguai e remeteria dinheiro para Luxemburgo. E teria usado cartões de crédito para fazer saques em dinheiro e pagar eventos onde teria me encontrado com o coronel Velozo e o Anchieta (Anchieta Hélcias, vice-presidente do Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias, ligado à TAM). Ao ler o dossiê, passei a entender uma série de questionamentos que recebi de deputados durante a CPI do Apagão Aéreo e que na hora eu não havia entendido. Também entendi por que, em 2006, a ministra Dilma afirmou que eu e o Velozo fazíamos lobby para a TAM e o Leur e o Zuanazzi fariam para a Gol.

Olha o "dossiê" de novo aí, gente. Não está faltando criatividade no PIG?

Um desses gabinetes tucanos, vendo em 2007 que caos-aéreo estava esfriando envia um "dossiê" fabricado para Denise Abreu se assustar e denunciar na imprensa, requentando o assunto, com fatos "novos".

E olha que interessante:

Denise Abreu diz ter recebido seu "dossiê" em setembro de 2007 (ela saiu em Agosto), e o encaminhou a PF, que repassou à Polícia Civil de São Paulo, naturalmente por não haver crime federal.

O "dossiê", fica adormecido 9 meses na Polícia Civil de José Serra, e hoje, em pleno escândalo da ALSTOM ele é despertado, e o Estadão corre atrás de uma entrevista da nova heroína do PIG, Denise Abreu.

E o pior, é que, assim como último dossiê fabricado por Álvaro Dias, este também carece de fundamentos.

As denúncias são de que houve "pressões" (no dossiê do Álvaro Dias eram "intenções").

Ora, é claro que em governos sempre existem pressões para a solução de imbróglios e são legítimas. Cada obra do PAC sofre pressão para andar, para resolver problemas ambientais, pendências burocráticas, etc.

Além disso, é no mínimo estranho que Denise Abreu tenha se silenciado quando estava apegada ao cargo.

Dilma Rousseff faz muitos inimigos quando cobra soluções e demite gente a bem do serviço público. Faz inimigos políticos quando torna-se presidenciável.

Diante do aumento do tráfego aéreo, (o chamado "caos-aéreo" pelo PIG) a ANAC teve comportamento submisso às empresas aéreas, permitindo overbook, deixando de multar as companhias que atrasavam, que cancelavam vôos, e muitas outras permissividades.

O governo Lula elevou a importância do CONAC (Conselho de Aviação Civil, órgão de assessoramento do Presidente da República para a formulação da política nacional de aviação civil), para solucionar o problema na época.

O CONAC é composto por 7 ministérios, mais o Comando da Aeronáutica:


- Ministro de Estado da Defesa (Presidente)
- Ministro de Estado das Relações Exteriores;
- Ministro de Estado da Fazenda;
- Ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;
- Ministro de Estado do Turismo;
- Ministro Chefe da Casa Civil da Presidência da República;
- Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão; e
- Comandante da Aeronáutica.

A ANAC é convidada permanente do CONAC.

Foi amplamente noticiado, nestas reuniões, que o Ministério da Defesa e a Casa Civil, pressionaram a diretoria da ANAC a agir com rigor com as empresas Aéreas e, por fim, a renunciar aos seus mandatos.

Com isso, gente como Denise Abreu, ficaram desafetas de Dilma.

No caso da Varig havia lobbies de todos os lados, inclusive do ex-genro de FHC, David Zylbersztajn. Havia dos funcionários da Varig, havia da TAM, da GOL, de empresas estrangeiras, e de todos os lados. E é claro o governo tinha a responsabilidade de não deixar regiões do país que só eram atendidas pela Varig sem transporte aéreo, por isso é natural acompanhar o processo de falência da Varig e cobrar dos ministérios envolvidos a busca de soluções.

Por: Zé Augusto

Patrulha Ideológica

Recentemente a revista Veja junto com a Globo vêm travando uma guerra ideológica e patrulhamento dos livros didáticos que são distribuídos gratuitamente aos alunos pelos governos. A "denúncia" surgiu quando uma mãe disse que o livro da filha tinha conotações politico-ideólogicas marxistas e que isso ela não aceitava. A revista Veja, como era de se esperar, veio com a reportagem e a partir daí o diretor de "jornalismo" da Globo Ali Kamel se juntou ao coro anti-subversivo desses livros.
Os artigos de Kamel e de outros reacionários de plantão que acreditam no que ele e a Veja escrevem fez parecer que voltamos na era do macarthismo. O macarthismo ficou conhecido como a época em que o senador dos EUA Joseph McCarthy perseguia e denunciava qualquer um que ele achasse ter vínculo ou idéias que simpatizavam com o comunismo as quais eram chamadas de subversivas e que foi muito bem retratado no filme de George Clooney chamado Boa Noite Boa Sorte (Good Night Good Luck).

Kamel escreveu e pediu o cancelamento da distribuição dos livros de história que continham "erros" sobre assuntos como o período maoísta na China (o livro não dizia que Mao era responsável pelo assassinato de milhões de chineses), sobre o "sagrado" sistema capitalista e acusou o governo brasileiro de tentar doutrinar os alunos com tal ideologia esquerdista. A partir disso, o jornalista Luis Nassif entrou na discussão e apresentou a verdadeira intenção de Kamel que era a de favorecer a editora que pertence a Globo que teria perdido uma fatia dos milhões de reais que os governos destinam para a compra desses livros.

Vale lembrar que esse livro referido por Kamel fazia 10 anos que estava em circulação e que recentemente já teria sido reprovado e suspendido pela avaliação do MEC e de professores. Quem faz a seleção dos livros didáticos são o MEC e os professores das áreas referidas, portanto, não teria nenhuma interferência do governo na escolha, mas sim pura paranóia guerra fria de Ali Kamel.

Sou professor eventual de biologia da rede pública e já vi alguns livros que são distribuídos que continham muitos erros, mas se eu vou dar aula e os alunos possuem o livro, com certeza identificarei tais erros e corrigirei com os alunos. O mesmo vai ser feito pelos professores de história, pois se o livro tiver tais imprecisões históricas o professor vai saber corrigir isso com os alunos e pronto. Não precisa fazer tempestade em copo d´água como esta fazendo Kamel e seus patrulhas do CCC (comando de caça aos comunistas que existiu na época da ditadura brasileira) na imprensa. Qual será a verdade que Kamel quer que seja passada aos alunos da rede pública? Vai ver seria melhor os professores de história e geografia deixarem de lado esses livros para usar a revista Veja e o jornal O Globo onde Ali Kamel escreve suas asneiras, na sala de aula.

Não sei o porque do alarde de Kamel e outros com medo de isso "contaminar" a mente dos alunos e como ultimamente uma escritora aqui de Piracicaba escreveu que o "mal já foi feito". Que mal seria esse? Seria o mal de ter alunos contestadores do sistema tornando-os subversivos?
Garanto que esses 10 anos que o livro circulou nas escolas, não se formou grupos de estudantes Maoístas revolucionários tentando acabar com o sistema capitalista e nem fez aumentar a filiação do partido comunista no Brasil. Assim os alunos se interessassem e lêssem os livros com o intuito de formar uma ideologia, pois quem sabe assim não teríamos alunos tão apáticos como hoje em dia.

Enfim, essa discussão ainda esta dando o que falar e nada vai adiantar mais uma vez a imprensa vir com mais essa retórica anti-esquerda que adota diariamente para também tentar interferir no processo educacional tentando doutrinar até os professores com essa paranóia.