
O cardiologista e ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, alertou que a balbúrdia da mídia em torno da febre amarela e a conseqüente disseminação do pânico em meio à população urbana não tem o mínimo fundamento e ainda está gerando riscos para as pessoas com a superdosagem da vacina.
“Vi na televisão pessoas que sempre residiram na cidade de São Paulo e que não pretendem viajar desesperadas, em filas para se vacinarem, alegando que tinham direito. Certamente não tinham necessidade e se expõem aos efeitos adversos de uma vacina com vírus vivo”, afirmou Jatene, em artigo na “Folha de S. Paulo”, ressaltando que “nos últimos quatro anos, foram registrados pelo sistema de informação de efeitos adversos pós-vacinação 478 casos (muito mais que os 349 casos de febre amarela registrados em 12 anos), desde reações simples até exantemas generalizados, febre alta e, em dois casos, meningite”.
O ex-ministro conclui seu artigo afirmando que “em um país em que freqüentemente se busca desmoralizar iniciativas governamentais, disseminando desconfiança na palavra oficial, que se preserve a seriedade com que são tratados assuntos como a febre amarela. Nunca é demais ressaltar a luta por recursos para o setor, seriamente afetada pela decisão -inegavelmente democrática, mas, sem dúvida, perversa - que permitiu retirar R$ 40 bilhões destinados a atender a população de baixa renda e entregá-los a empresas e parcelas da população mais bem aquinhoadas, causando sério risco ao esquema financeiro para o setor”.
Do Hora do povo

