Agosto 22, 2008

Relaxa - Disfarces de um discurso "democrático"


O debate sobre a Lei de Imprensa, sua extinção, manutenção ou reforma permeou a abertura do 7º Congresso Brasileiro de Jornais, promovido na segunda e terça-feira (18 e 19.08), em São Paulo, pela Associação Nacional de Jornais (ANJ).

No evento, Nelson Sirotsky, do Grupo Zero Hora gaúcho que deixou a presidência da ANJ, defendeu uma "regulação para o século XXI", com regras mínimas específicas para a mídia. Teve essa posição reforçada por sua substituta na presidência da entidade, Judith Brito, do grupo Folha.

Propostas manterão arbitrariedades

O congresso da ANJ reúne executivos da mídia que sustentam a necessidade de uma nova lei para regular o setor de imprensa; outros que defendem a completa ausência de legislação específica no setor com o a melhor solução.

Eu discordo desse último grupo. Os que defendem essa posição advogam apenas punições civis e não criminais para os que cometem delitos na área da imprensa. Pois bem, aí cria-se um descalabro porque, no caso das indenizações, querem que o valor seja igual ao do custo comercial do espaço onde a reportagem foi publicada. Ou seja, se um erro grotesco for capa de um jornal de grande circulação (como o conhecido e triste caso da Escola Base), a vítima, mesmo com a vida destroçada, receberá como indenização o valor de um espaço publicitário!!!

Há os que acreditam que basta a Constituição para resolver as questões

Também discordo: se a mídia se pautasse em sua atuação pelo estrito respeito aos dispositivos constitucionais teríamos os constantes, quase diários erros, pré-julgamentos e ilegalidades a que ela expõe o cidadão cotidianamente?

Além do mais, a Constituição brasileira estabelece o direito de resposta – com igual destaque e mesmo tamanho de espaço dado à acusação. Ela e outros dispositivos e normas legais brasileiras, de forma explícita ou pelo espírito da lei, consagram a presunção da inocência, e a inviolabilidade da honra e da intimidade. Esses princípios são respeitados? Não são.

Por isso, advogo uma reforma já para o setor, uma legislação que reveja não só o teor antiquado das leis vigentes, mas também que traga tanto uma garantia de que será preservada a liberdade de expressão e opinião, mas também com garantias de que a imprensa respeitará os direitos constitucionais dos cidadãos. Ou buscamos e conquistamos isso, ou a mídia manterá suas tentativas de ficar acima da lei.

Do blog do Dirceu

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Patrulha Ideológica

Recentemente a revista Veja junto com a Globo vêm travando uma guerra ideológica e patrulhamento dos livros didáticos que são distribuídos gratuitamente aos alunos pelos governos. A "denúncia" surgiu quando uma mãe disse que o livro da filha tinha conotações politico-ideólogicas marxistas e que isso ela não aceitava. A revista Veja, como era de se esperar, veio com a reportagem e a partir daí o diretor de "jornalismo" da Globo Ali Kamel se juntou ao coro anti-subversivo desses livros.
Os artigos de Kamel e de outros reacionários de plantão que acreditam no que ele e a Veja escrevem fez parecer que voltamos na era do macarthismo. O macarthismo ficou conhecido como a época em que o senador dos EUA Joseph McCarthy perseguia e denunciava qualquer um que ele achasse ter vínculo ou idéias que simpatizavam com o comunismo as quais eram chamadas de subversivas e que foi muito bem retratado no filme de George Clooney chamado Boa Noite Boa Sorte (Good Night Good Luck).

Kamel escreveu e pediu o cancelamento da distribuição dos livros de história que continham "erros" sobre assuntos como o período maoísta na China (o livro não dizia que Mao era responsável pelo assassinato de milhões de chineses), sobre o "sagrado" sistema capitalista e acusou o governo brasileiro de tentar doutrinar os alunos com tal ideologia esquerdista. A partir disso, o jornalista Luis Nassif entrou na discussão e apresentou a verdadeira intenção de Kamel que era a de favorecer a editora que pertence a Globo que teria perdido uma fatia dos milhões de reais que os governos destinam para a compra desses livros.

Vale lembrar que esse livro referido por Kamel fazia 10 anos que estava em circulação e que recentemente já teria sido reprovado e suspendido pela avaliação do MEC e de professores. Quem faz a seleção dos livros didáticos são o MEC e os professores das áreas referidas, portanto, não teria nenhuma interferência do governo na escolha, mas sim pura paranóia guerra fria de Ali Kamel.

Sou professor eventual de biologia da rede pública e já vi alguns livros que são distribuídos que continham muitos erros, mas se eu vou dar aula e os alunos possuem o livro, com certeza identificarei tais erros e corrigirei com os alunos. O mesmo vai ser feito pelos professores de história, pois se o livro tiver tais imprecisões históricas o professor vai saber corrigir isso com os alunos e pronto. Não precisa fazer tempestade em copo d´água como esta fazendo Kamel e seus patrulhas do CCC (comando de caça aos comunistas que existiu na época da ditadura brasileira) na imprensa. Qual será a verdade que Kamel quer que seja passada aos alunos da rede pública? Vai ver seria melhor os professores de história e geografia deixarem de lado esses livros para usar a revista Veja e o jornal O Globo onde Ali Kamel escreve suas asneiras, na sala de aula.

Não sei o porque do alarde de Kamel e outros com medo de isso "contaminar" a mente dos alunos e como ultimamente uma escritora aqui de Piracicaba escreveu que o "mal já foi feito". Que mal seria esse? Seria o mal de ter alunos contestadores do sistema tornando-os subversivos?
Garanto que esses 10 anos que o livro circulou nas escolas, não se formou grupos de estudantes Maoístas revolucionários tentando acabar com o sistema capitalista e nem fez aumentar a filiação do partido comunista no Brasil. Assim os alunos se interessassem e lêssem os livros com o intuito de formar uma ideologia, pois quem sabe assim não teríamos alunos tão apáticos como hoje em dia.

Enfim, essa discussão ainda esta dando o que falar e nada vai adiantar mais uma vez a imprensa vir com mais essa retórica anti-esquerda que adota diariamente para também tentar interferir no processo educacional tentando doutrinar até os professores com essa paranóia.