Dezembro 28, 2007

Hipocrisia Pura - TV Brasil é criticada por modelo de gestão e ênfase no jornalismo

A ênfase no jornalismo político, com a nomeação de jornalistas para a direção da empresa e a inclusão de dois telejornais na programação diária, e o modelo de gestão sem autonomia assegurada por lei são as principais críticas à TV Brasil.

O sociólogo Demétrio Magnoli diz que a programação da TV Brasil mostra que, ao contrário do discurso governamental de que ela vai unir a programação regional das emissoras públicas e estatais, o governo vai usar a emissora para fazer jornalismo político.

"Na prática, o que o governo está dizendo, não com as palavras, mas com a programação que montou, é que o jornalismo independente do governo não serve, por isso o governo precisa fazer jornalismo político", afirma.

Para o radialista Diogo Moyses, um dos coordenadores da ONG Intervozes, que discute a ampliação do direito à comunicação, o problema da nova TV é o modelo de gestão, que, na avaliação dele, não garante a independência da empresa.

"Tanto a diretoria executiva como o Conselho Curador são indicados pelo presidente, o que, do nosso ponto de vista, compromete a autonomia e a independência da empresa", afirma Moyses.

Jornalismo

Magnoli critica o fato de os dirigentes da TV serem profissionais oriundos do jornalismo político, e de a programação nova da TV Brasil incluir dois telejornais.

O restante da programação é uma mistura do que já era exibido na TV Nacional, de Brasília, e na TVE, do Rio, emissoras que se fundiram para criar a TV Brasil.

"O governo está usando dinheiro público para fazer algo que não devia, que é jornalismo político", afirmou Magnoli. "E como não vai funcionar, o governo vai jogar fora todo esse dinheiro."

A presidente da EBC, Tereza Cruvinel, diz que a TV Brasil vai discutir as questões nacionais, assuntos que não encontram espaço hoje nas emissoras comerciais.

Magnoli discorda. Ele afirma que a imprensa já faz este papel. "A imprensa brasileira tem uma pluralidade incomum na América Latina", diz o sociólogo.

Se existe algo para ser criticado no jornalismo brasileiro, diz Magnoli, não é o excesso de crítica ao governo, mas a falta de crítica.

"A mídia eletrônica é extremamente submissa ao governo, e não só a este governo, mas aos governos anteriores também", afirma. "O jornalismo, por definição, deve criticar o governo. Não apenas este, mas qualquer governo."

Gestão

A ONG Intervozes defendia também a independência das verbas orçamentárias do governo, mas Moyses diz que mesmo com a vinculação ao orçamento - como determina a Medida Provisória que criou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) - teria sido possível garantir a autonomia de decisões se ela estivesse explicitada no texto.

Mas ele discorda da crítica de alguns políticos de oposição, que afirmam que a TV será utilizada como um instrumento político do governo.

"Nós não acreditamos, de maneira nenhuma, que este governo tenha a intenção de instrumentalizar a EBC, até porque isso não foi feito com a Radiobrás nos últimos cinco anos", afirma Moyses.

O problema, segundo ele, é que a Medida Provisória que criou a empresa não garante a independência formalmente, e futuros governos não terão os compromissos políticos assumidos pelo governo atual, que em diversas ocasiões já se pronunciou a favor da autonomia da emissora.

"Este governo tem que saber que outros governos podem sim ter tentações autoritárias. E esses governos vão ter a legitimidade absoluta de instrumentalizar a EBC", afirma Moyses. "O problema é que não foi feita uma blindagem contra isso."

Conselho

Tereza Cruvinel diz que essas definições ficarão a cargo do Conselho Curador, que vai fiscalizar o trabalho dos diretores executivos.

A Intervozes também critica a falta de transparência na escolha dos conselheiros. Os 15 nomes apresentados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram escolhidos pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo, a pedido do presidente. Também integram o Conselho Curador quatro ministros e um representantes dos funcionários. "É um conselho elitista", diz Moyses. "Faltam representantes dos trabalhadores e de emissoras do campo público."

A MP determina que os próximos conselheiros podem ser indicados por consulta pública, mas a decisão final ainda cabe ao presidente.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), critica a possibilidade de a TV Brasil buscar recursos no mercado publicitário, além dos recursos orçamentários e com isso competir com as televisões privadas. "Ou ela busca financiamento no governo ou no mercado", afirma o presidente da Abert, Daniel Pimentel Slaviero. "Não pode ficar em ambos os lados."

Por Denize Bacoccina

Dezembro 26, 2007

O Brasil é uma realidade, não uma abstração descartável


No Brasil, se confunde muito a parte pelo todo, é mania generalizar e se larga a complexidade e contradições do real por uma abstração, dizer de forma muito fácil e reducionista que "o brasil é isso, o brasil é aquilo", "o cinema brasileiro é isso, o cinema brasileiro é aquilo". Isso, de esquerda ou de direita, é uma postura muito imatura e colonizada, que adianta pouco...E no fundo é uma herança autoritária. Porque a discussão abstrata é uma maneira de driblar as dicussões, problemas, limites, soluções e principalmente negociações que a realidade impõem. Fala-se no abstrato para evitar se discutir a realidade. Fala-se na "herança escravocrata", importantíssimo, mas para evitar discutir como enfrentar e resolver o racismo hoje. e assim a nava vai...

a vida é muito menos maniqueísta, e mais complexa, múltipla e dia-a-dia que isso...

pensei nisso ao ler este post do blog do ricardo calil: http://www.ricardocalil.com.br/

Um país bipolar

Nunca na história desse país uma certa bipolaridade brasileira ficou tão clara quanto no noticiário de TV da última semana. No bloco dedicado ao Pan, somos uma nação com um futuro brilhante, uma nova potência esportiva, um gigante finalmente desperto. Portanto, somos também incapazes de aceitar qualquer medalha que não seja ouro, de vaiar moleques de menos de 17 anos que perdem no futebol para garotos cinco anos mais velhos, de entender a revolta do judoca que levou “apenas” prata.

No bloco seguinte, dedicado à tragédia de Congonhas, voltamos a ser um país de merda, com um governo incompetente e corrupto, companhias aéreas e pilotos despreparados e uma população de bundões, incapaz de se revoltar com tamanhas barbaridades. Claro, existe aí o evidente desejo das emissoras de TV de usar a tragédia para atacar politicamente o governo, de repetir cenas mórbidas para aumentar índices de audiência. Mas há também, como pano de fundo, uma certa fracassomania, a velha síndrome de vira-latas de que falava Nelson Rodrigues.

E, no bloco seguinte, voltamos à euforia do Pan. E continuamos a ser um país onde não se aceita o bronze e o acaso. Um país sem razão.

Por José Chrispiniano

Dezembro 21, 2007

Hipocrisia - “Globo proíbe conversa sigilosa em elevador"

A Globo acaba de editar uma nova versão de sua "Política de Segurança da Informação", um manual de 12 páginas contra o vazamento de informações que disciplina o uso da internet, reuniões e entrevistas à imprensa. Apesar do rigor, uma cópia vazou para a Folha. O manual classifica as informações em "confidenciais" (aquelas cujo vazamento "afeta a empresa e o negócio como um todo"), "restritas" ("vazamento afeta uma ou mais áreas"), "internas" e "públicas".

Os funcionários são orientados a "protegerem adequadamente" as "informações faladas: em elevadores, táxis, bares e restaurantes, aviões, ligações telefônicas, banheiros, festas, dentro e fora da TV Globo, reuniões com amigos etc.". "Devem ser evitadas reuniões em locais públicos, como também evitar tratar de assuntos classificados como confidenciais/restritos em saguões de aeroportos, rodoviárias, dentro de transporte público, na frente de terceiros", além de "telefones públicos", declara. Recomenda-se o duplo envelopamento e o uso da criptografia em mensagens eletrônicas.

O manual deixa claro que a "TV Globo pode fiscalizar, a qualquer momento, sem necessidade de aviso prévio, a correta utilização dos recursos[como computadores] cedidos a usuários". Somente profissionais citados na "Política de Comunicação com a Mídia" podem falar em nome da Globo.”

Do pequena mídia

Dezembro 18, 2007

Os Jurados do Juízo Final


A proposta de prorrogação da CPMF foi derrotada no Senado. Na posteridade do imbróglio parlamentar, a soberba midiática previu o Armagedon econômico do governo e a condenação ao inferno da oposição. Deitaram falação sobre as misérias da democracia à brasileira, encalacrada entre vergonha das negociações e os desrespeito à metafísica dos sábios da economia, a ciência triste. Não faltou quem soasse o alarme do decesso do regime, dilacerado pelo conflito nefando entre altos e baixos interesses. Devo conceder a honra da exceção ao editorial "Além da CPMF", da Folha de S.Paulo, edição de domingo, 16 de dezembro.

Pierre Bourdieu em seu pequeno livro "Sur la Television" cuidou de analisar os arroubos moralistas de âncoras, comentaristas e outros bichos de menor porte. Gide dizia que com bons sentimentos se faz má literatura". Mas, com bons sentimentos se faz audiência. É preciso refletir sobre o moralismo das gentes midiáticas: freqüentemente cínicos, eles propugnam por um conformismo moral absolutamente prodigioso. Os apresentadores de jornal televisivo, os animadores de debate, os comentaristas esportivos se transformaram em pequenos diretores de consciência, porta-vozes de uma moral tipicamente pequeno-burguesa. Dizem "o que é preciso pensar sobre os problemas da sociedade".

A sociabilidade moderna se move entre a inevitável pertinência a uma cultura produzida pela história e a pluralidade dos indivíduos "livres". A identidade, a começar pela linguagem, é "recebida" sem que o indivíduo seja indagado sobre suas preferências. Mas a história dessas sociedades "produziu" o mercado, a sociedade civil, suas liberdades e seus interesses. O sistema de necessidades e de interesses supõe, em seu desenvolvimento contraditório, a legitimidade das ações egoístas e interessadas, acomodada nos limites impostos pela lei emanada da soberania popular.

Essa forma peculiar de sociabilidade rejeita a autoridade da "ordem revelada" ou transcendências, religiosas, políticas (pseudo-revolucionárias), moralistas e midiáticas. Tais monstruosidades pretendem se colocar "fora" da bulha do mundo da vida e do exercício compartilhado da razão pelos cidadãos. Na sociedade contemporânea, não há lugar para tribunais privados e julgamentos auto-referidos do comportamento alheio, senão como uma grotesca reincidência no pecado do Orgulho, a ousadia de Lúcifer, o anjo decaído.

Infelizmente para os que se consideram acima do bem e do mal, mas felizmente para a sobrevivência da vida civilizada, a sociedade moderna está condenada a construir, pelo debate crítico - a continuada revisão das certezas provisórias - as suas próprias condições de avaliação e julgamento. Para quem não entende o que é debate crítico, cito, ainda uma vez, Cristopher Lasch: "a democracia requer um debate público vigoroso, não apenas informação. É óbvio que a informação é importante, mas o tipo de informação exigido na democracia só pode ser gerado pelo debate. Não sabemos o que precisamos saber até que possamos formular as questões corretas e só podemos saber quais são as questões corretas se submetermos nossas próprias idéias sobre o mundo ao teste da controvérsia pública". Para assumir a condição de sujeitos de direitos e deveres, os indivíduos são constrangidos a abdicar de sua moral particularista.

O consensus iuris é o reconhecimento dos cidadãos de que só o direito, ou seja, o sistema de regras positivas emanadas dos poderes do Estado e legitimados pelo sufrágio universal pode julgar e punir os que porventura se arriscam à violação da norma abstrata. É a garantia de que os mortais não serão condenados antecipadamente por opiniões autocráticas, pessoais e preconceituosas, sem que tenha ocorrido a prática, comprovada mediante contraditório, de transgressões sancionadas pela norma.

A mediação e a garantia do Estado são precárias, sugere Giorgio Agambem na esteira de Hobbes, pois a soberania é um frágil compromisso entre a natureza e a razão, o direito e a violência. E a violência decorre exatamente da tentativa - freqüentemente bem sucedida - de se impor ao outro, pela força física ou pela coação moral, o seu próprio julgamento, impostado como uma referência absoluta e infalível, acima de qualquer crítica.

A indigência crítica abre caminho para a selfrightousness. A língua inglesa tem uma palavra precisa para designar o estado de espírito dos indivíduos isolados que se consideram bons e virtuosos, em meio "à vulgaridade e às bandalheiras da sociedade": selfrighteousness. O Novo Michaellis é peremptório: selfrighteous, o cidadão que imposta a selfrightousness, é farisaico, hipócrita. Correta, porém precária, a tradução do respeitado dicionário. A estridência dos humanos direitos sugere que a selfrighteousness deixou de ser um vício individual para se transformar num fenômeno social retrógrado e antidemocrático.

Nas manifestações dos moralistas transcendentais, vejo a auto-convocação dos soi-disant iluminados para substituir a onisciência divina e, nessa condição, desferir os ucasses irrecorríveis do Juízo Final, em contraposição aos humanos, os pobres diabos que se debatem para sobreviver aos ditames da falibilidade e da incerteza. Fico a imaginar como seria a vida dos humanos falíveis se os jurados do Juízo Final empalmassem o poder na moderna sociedade de massas, crivada de conflitos e contradições. O mundo realizaria, se é que não está a realizar, as profecias de George Orwel em "1984" e de Aldous Huxley em "Brave New World".

Do Terra Magazine

Dezembro 11, 2007

ISSO É NOTÍCIA ?!?!

Isso é noticia. É noticia que Brad Pitt coça o ouvido e faz caretas durante uma premiação. É tão idiota transformar isso em noticia que chega a ser curioso, afinal um absurdo desse deve dizer muito a respeito de nossa sociedade.

Antes da televisão o povo voltava a idolatria a ideais, ideologias, mitos, etc. Guerreavam loucamente em nome de deuses, costumes, culturas, lugares, etc. Hoje ficam vendo televisão, falando das pessoas que apareçam na televisão, muitos com o controle remoto numa mão e uma revista de "celebridades e TV" na outra. A abundante publicidade está ali como se deixada por acaso, as vezes até com uma capa falsa; já perceberam como a publicidade gosta de se camuflar nas coisas? A publicidade quer cobrir toda a nossa visão de mundo. Que idolatria será pior, a alucinante ou a alienante da tv?

Será que eu que sou delirante? Será que a vida do Brad sempre vai ser mais importantes que os questionamentos dos filmes? Será que a culpa é realmente da população, incapaz de se interessar por coisas menos fúteis que isto? Eu acredito que não

Eu reconheço que me interesso por olhar um foto dele com o dedo no nariz, isso não me impede de criticar esse interesse, muito pelo contrário, é por fazer parte da sociedade e ser feito por ela que posso testemunhar a respeito.

Como eu acredito que a televisão pode ser o primeiro super-heroi da história, pois ela é todo mundo e ninguém ao mesmo tempo, tenho esperança na Tv Brasil. Eu tinha vontade de trabalhar lá se ela for como o Beluzzo pretende que ela seja, ou se ela ao menos esteja rumando a ser já bastava. Vamos ver como se desenrolará essa história.

Por Pablo

Dezembro 08, 2007

Brasil x EUA + Mídia

Existe um governo muito poderoso que não quer a Venezuela no Mercosul. Que contava com violência na Venezuela para derrubar Chávez. Que não aceita que ele permaneça no poder por motivos óbvios, dentre os quais pelo fato de que pretende exercer a soberania do país e se nega a entregar o petróleo e o gás venezuelanos de graça, como acontecia no passado.

Ontem o Congresso americano, com um surpreendente apoio de democratas, aprovou o acordo comercial dos Estados Unidos com o Peru. Quando se trata de defender os interesses nacionais, os americanos se entendem. Tudo o que eles NÃO querem é um bloco econômico independente, no que sempre consideraram, desde a doutrina Monroe, sua área natural de influência.

Aqui no Brasil, prestadores de serviço usam concessões públicas, que pertencem à população brasileira, para defender a política externa e os interesses comerciais dos Estados Unidos. Se fizessem isso abertamente, com argumentos, seria maravilhoso. Teríamos um debate enriquecedor. Porém, essa turma sabe que colocar os interesses americanos acima dos brasileiros pega mal. Fazem o servicinho sujo por baixo do pano, como já fizeram no passado, quando foram bater nas portas da Casa Branca para pedir ajuda na derrubada de um governo eleito de forma legítima pelos brasileiros.

Por Carlos Azenha

Dezembro 01, 2007

Franklin Martins Rebate Mentira de 'O Globo'

Segundo o jornal, os custos subiram de R$ 18,5 milhões para R$ 29 milhões mensais nos últimos três anos. "Em declínio está somente o nível de transparência das declarações de gastos no sistema de gestão financeira governamental", diz o texto.

Na nota de resposta, Martins rebate a malícia do jornal. O ministro afirma: "na tentativa de classificar custos da Presidência da República como 'mordomias', a reportagem do Globo mistura dados e confunde números, desinformando o leitor".

Ao explicar o que seria a verdadeira origem dos dados, a Secretaria de Comunicação da Presidência lembra que "todas as despesas realizadas têm o amparo da legislação e todas as contas foram aprovadas pelo mesmo TCU (Tribunal de Contas da União). O TCU, por sinal, "serviu de fonte para a reportagem após auditoria de 90 dias entre 2005 e 2006".

Conforme o relato de Franklin, "a reportagem falta com a verdade na tentativa de passar ao leitor uma imagem de ostentação e luxo, tratando como gastos absurdos investimentos em programas sociais, na saúde dos funcionários e na manutenção e reposição de materiais necessários à administração pública".

A nota do ministro se encerra com um recado ao jornal: "Ressaltamos que todas essas incorreções e equívocos poderiam ter sido evitados se a Secretaria de Imprensa da Presidência da República fosse contatada previamente, como é de praxe".

Por Guina

Patrulha Ideológica

Recentemente a revista Veja junto com a Globo vêm travando uma guerra ideológica e patrulhamento dos livros didáticos que são distribuídos gratuitamente aos alunos pelos governos. A "denúncia" surgiu quando uma mãe disse que o livro da filha tinha conotações politico-ideólogicas marxistas e que isso ela não aceitava. A revista Veja, como era de se esperar, veio com a reportagem e a partir daí o diretor de "jornalismo" da Globo Ali Kamel se juntou ao coro anti-subversivo desses livros.
Os artigos de Kamel e de outros reacionários de plantão que acreditam no que ele e a Veja escrevem fez parecer que voltamos na era do macarthismo. O macarthismo ficou conhecido como a época em que o senador dos EUA Joseph McCarthy perseguia e denunciava qualquer um que ele achasse ter vínculo ou idéias que simpatizavam com o comunismo as quais eram chamadas de subversivas e que foi muito bem retratado no filme de George Clooney chamado Boa Noite Boa Sorte (Good Night Good Luck).

Kamel escreveu e pediu o cancelamento da distribuição dos livros de história que continham "erros" sobre assuntos como o período maoísta na China (o livro não dizia que Mao era responsável pelo assassinato de milhões de chineses), sobre o "sagrado" sistema capitalista e acusou o governo brasileiro de tentar doutrinar os alunos com tal ideologia esquerdista. A partir disso, o jornalista Luis Nassif entrou na discussão e apresentou a verdadeira intenção de Kamel que era a de favorecer a editora que pertence a Globo que teria perdido uma fatia dos milhões de reais que os governos destinam para a compra desses livros.

Vale lembrar que esse livro referido por Kamel fazia 10 anos que estava em circulação e que recentemente já teria sido reprovado e suspendido pela avaliação do MEC e de professores. Quem faz a seleção dos livros didáticos são o MEC e os professores das áreas referidas, portanto, não teria nenhuma interferência do governo na escolha, mas sim pura paranóia guerra fria de Ali Kamel.

Sou professor eventual de biologia da rede pública e já vi alguns livros que são distribuídos que continham muitos erros, mas se eu vou dar aula e os alunos possuem o livro, com certeza identificarei tais erros e corrigirei com os alunos. O mesmo vai ser feito pelos professores de história, pois se o livro tiver tais imprecisões históricas o professor vai saber corrigir isso com os alunos e pronto. Não precisa fazer tempestade em copo d´água como esta fazendo Kamel e seus patrulhas do CCC (comando de caça aos comunistas que existiu na época da ditadura brasileira) na imprensa. Qual será a verdade que Kamel quer que seja passada aos alunos da rede pública? Vai ver seria melhor os professores de história e geografia deixarem de lado esses livros para usar a revista Veja e o jornal O Globo onde Ali Kamel escreve suas asneiras, na sala de aula.

Não sei o porque do alarde de Kamel e outros com medo de isso "contaminar" a mente dos alunos e como ultimamente uma escritora aqui de Piracicaba escreveu que o "mal já foi feito". Que mal seria esse? Seria o mal de ter alunos contestadores do sistema tornando-os subversivos?
Garanto que esses 10 anos que o livro circulou nas escolas, não se formou grupos de estudantes Maoístas revolucionários tentando acabar com o sistema capitalista e nem fez aumentar a filiação do partido comunista no Brasil. Assim os alunos se interessassem e lêssem os livros com o intuito de formar uma ideologia, pois quem sabe assim não teríamos alunos tão apáticos como hoje em dia.

Enfim, essa discussão ainda esta dando o que falar e nada vai adiantar mais uma vez a imprensa vir com mais essa retórica anti-esquerda que adota diariamente para também tentar interferir no processo educacional tentando doutrinar até os professores com essa paranóia.