Setembro 16, 2007

VÍDEOS DA MANIFESTAÇÃO DO MSM - MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA


Os vídeos gravados na manifestação já subiram no You Tube [Luiz Carlos Azenha].

Recebi os links do pessoal da Credibilidade e Ética.

Foram postados pelo blog do Space:

http://br.youtube.com/watch?v=mpfF3HIjzqc&eurl

"Nós não somos os Simpsons":

http://br.youtube.com/watch?v=nmmaR--KXY8&eurl

Matéria do Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim:

http://br.youtube.com/watch?v=qAYV8sycVNk&eurl

Blog do Space:

http://blog-do-space.blogspot.com/

O Ernani Cioffi subiu no You Tube a leitura completa do manifesto escrito por Eduardo Guimarães:

http://dureza.blig.ig.com.br

Setembro 12, 2007

! ! PLURALISMO NA IMPRENSA, JÁ ! !


ATENÇÃO : A Manifestação pelo "PLURALISMO NA IMPRENSA" acontece no próximo sábado

ÀS 10:00 HORAS DA MANHÃ

! ! COMPAREÇAM ! !

Maiores Informações: http://edu.guim.blog.uol.com.br/

Setembro 10, 2007

A face da perseguição - Por que a seletividade nas denúncias?


Não tenho nada contra denúncias de caixa 2 ou de corrupção – nem poderia, uma vez que o viés crítico, a tão propalada eterna vigilância e as conseqüentes denúncias, que dela advém, são posturas essenciais/inerentes ao bom jornalismo e é, indubitavelmente, um primeiro passo para a correção de falhas do nosso sistema político, dos desvios de conduta dos homens públicos e de rumos dos governos. Mas essas críticas e denúncias devem atingir a todos indiscriminadamente – à esquerda e à direita, governo e oposição.

E esse é apenas um primeiro passo. Os passos seguintes, desgraçadamente quase sempre sem a firmeza e competência necessárias, devem, assim determina a Lei, ficar a cargo da polícia, do Ministério Público e da Justiça. A Justiça, como todos sabemos, é por demais lenta e suas decisões são para sempre postergadas nos meandros e estratégias que o Direito Processual propicia. Porém, não exatamente por isso, ou não exatamente como conseqüência disso [da morosidade da Justiça e das intrincadas miríades do Direito], a imprensa, nos dias de hoje, arvora-se o grande verdugo: investiga, denuncia e também condena, ao arrepio da lei e do Estado de Direito.

O que me causa estranheza e desconfiança, entretanto, e acima de tudo, é a seletividade das denúncias e a celeridade/açodamento do julgamento: prévio, precipitado, “definitivo”. Então cabem aqui algumas (muitas) perguntas inevitáveis. Por que as denúncias só atingem políticos da base aliada do governo Lula? Não houve caixa 2 nas campanhas de Serra, Aécio Neves e Alckmin – só para citar os nomes de ilustres presidenciáveis, de hoje e de ontem? Será que não há (ou houve) corrupção nos governos desses senhores? Por que então não se investiga essas gestões? Por que não saem, nos jornais e revistas, manchetes alardeando possíveis crimes por eles cometidos? Ou eles não cometeram seus pecados?

Por que então existem cerca de sessenta e nove pedidos de instalação de CPI para investigar denúncias, devidamente lastreadas em provas ou fortes indícios, de malversação do dinheiro público e/ou improbidade no governo de Geraldo Alckmin barrados na Assembléia Legislativa de São Paulo? E as fotos de Serra entregando ambulâncias aos deputados “sanguessugas”, foram forjadas? E o dossiê Vedoin/Serra/Barjas Negri – lembram-se dele? –, também forjado? E aquele esquema, que, supõe-se, foi o embrião, a matriz do “valerioduto”, e que irrigou as contas da campanha de Eduardo Azeredo (do PSDB) ao governo de Minas Gerais em 1998? E a lista de furnas? E a planilha do Bresser detalhando recursos “por fora” da campanha de FHC? E a denúncia do milionário caixa 2 do carlismo na Bahia, estampada e detalhada em várias matérias da revista CartaCapital – e, para variar, devidamente silenciada pela grande imprensa? Pelo visto, os esquemas de caixa 2 de uns são mais criminosos que os de outros. Curiosamente, não se percebe o mesmo empenho da imprensa em investigar, denunciar e julgar quando se trata de políticos do PSDB e do DEM (ex-PFL). Por que será? A imprensa não deveria ter compromisso com a imparcialidade, com o pluralismo e a verdade factual?

Não acredito em duendes, porém sei de muita gente que “acredita”, seja por mero modismo, fantasia ou ainda como uma espécie de alegoria de uma inocência perdida. Também não creio em bruxas, curupira, mula sem cabeça e outros entes do imaginário popular. Da mesma forma, também não acredito na pureza e no falso moralismo das vestais de bordel da imprensa tupiniquim. Pois há muito percebo e compreendo o por quê da “seletividade” de seu “denuncismo” estrepitoso, calhorda, oportunista e de sua ética canhestra, conveniente.

Insisto nas incômodas perguntas: por que somente as denúncias contra os políticos do PT e do governo Lula merecem destaque na mídia e são repisadas, requentadas e reiteradas até a exaustão? Por que só os esquemas de caixa 2 do PT e dos partidos aliados são investigados (e previamente condenados)? Isso sem falar, claro, em algumas denúncias absurdas – como os dólares de Cuba e sobre a “periculosidade” do irmão do presidente (supostamente, um ardiloso lobista). Por que, só agora, caixa 2 tornou-se escândalo nacional? Por que aqueles partidos que servem, desde sempre, diligentemente, aos donos do poder recebem tratamento diferenciado da mídia? Não seria por que a mídia, hipocrisia à parte, está a serviço dos donos do poder e dos partidos que lhes representam e servem de esteio?

Insisto a bater na mesma tecla e a defender a mesma tese, não completamente só, mas na boa companhia de jornalistas como Mino Carta, por exemplo: não há provas de que houve o tal “mensalão” – tal “fenômeno” não é sequer verossímil. Os recursos “não contabilizados”, ao que tudo indica, serviam para honrar gastos de campanha. O que ocorreu, como já disse em textos anteriores, foi o secular esquema de caixa 2, agora, mas só agora, denunciado e investigado com a rigidez necessária – e também com direito às pirotecnias e fumaças de todo espetáculo midiático. Porém, devidamente embalado para consumo fácil, tipo “fast food”, com nomenclaturas de fácil assimilação pelas massas (“mensalão”), e revestido por uma aura de indisfarçável falso moralismo e hipocrisia.

Esclareço: não, prezado leitor. Não pretendo aqui justificar os desmandos e crimes de uns pelos dos outros, proteger uns e outros. Mas exigir que se investigue, critique e denuncie a todos, de modo imparcial e justo. A lei deve atingir a todos, com justiça e isenção, independentemente de filiação ou coloração partidária.

Por fim, respondendo a pergunta que intitula esse artigo: as denúncias são seletivas e reiteradas por que visam, tão somente, fragilizar, desestabilizar e, por fim, interditar o governo de Luis Inácio Lula da Silva – e, por isso, a imprensa é, de fato, “conservadora e golpista” como diz, diuturnamente, Paulo Henrique Amorim, em seu Conversa Afiada. E isso não é, como pretendem os sacripantas e sabujos encastelados na grande imprensa, mera e fabulosa “teoria da conspiração” – como, aliás, deixam evidentes argumentos aqui esgrimidos.

Se houvesse ainda algo de sério, ou, ao menos, boas intenções na mídia brasileira, quase que totalmente dominada pelas oligarquias e pelos coronéis da política (daí não poderia sair boa coisa mesmo), ela certamente estaria do lado dos homens de bem desse país. E estaria, com a mesma força e denodo com que hoje divulga denúncias e ataques ao governo Lula, veiculando também denúncias que envolvem “o outro lado” e defendendo uma ampla reforma política que estabelecesse, dentre outros mecanismos, o financiamento público de campanha e a fidelidade partidária. O resto é diversionismo/ilusionismo golpista com o indefectível molho de hipocrisia.

Lula Miranda é poeta, cronista e secretário de Formação para a Cidadania do Sindicato de Trabalhadores em Editoras de Livros de São Paulo.

Setembro 05, 2007

INTERCEPTAÇÃO TELEMÁTICA ILEGAL NO STF


No dia 23 de agosto de 2007, um jornal de grande circulação no país publicou a transcrição de uma conversa havida entre dois ministros do STF. Essa conversa ocorreu no que os meios de comunicação chamaram genericamente de Intranet; mas aqui podemos definir como um software interno de Instant Messenger (semelhante aos conhecidos ICQ, Skype e MSN). Tentaremos mostrar nesse pequeno artigo que tal ação constitui-se em um grave caso de violação de direitos constitucionalmente protegidos além da tipificação do crime de interceptação telemática ilegal

Devemos esquecer, em um primeiro momento, que tratavam-se de ministros de nossa Suprema Corte. Tal fato é desimportante na medida em que aplicamos a Constituição indistintamente a todos os cidadãos. O fato de alguém ser um ministro da mais alta corte não faz (em tese) que seus direitos constitucionais sejam mais importantes do que o do cidadão comum. A Constituição não faz distinção nesse ponto.

Ressaltamos também que a privacidade e a intimidade, como direitos da personalidade que são, merecem proteção especial e respeito irrestrito da sociedade. O dever geral que todos têm de respeitar os direitos alheios não fogem à presente situação. Nesta seara, os direitos da personalidade entendidos como direitos humanos, são os mais sagrados para o homem.

A Constitução é clara em estabelecer os limites da proteção à intimidade e privacidade, consubstanciados pela inviolabilidade do sigilo. Vejamos:
Art. 5º, inc. XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;

Já a lei 9296/96 nasceu para regulamentar o inciso acima citado e trata da questão da interceptação de dados e comunicações telefônicas. Esta lei é tão restritiva que permite a interceptação apenas quando tratar-se de investigação criminal, em crimes punidos com detenção, quando houver indícios razoáveis de autoria e a prova não puder ser produzida por outros meios. Esta é a reprodução do art. 2º da lei. Tal serve para demonstrar que não é em qualquer caso que a interceptação é permitida: ela é tão severa que além de todos estes requisitos requer ainda a análise judicial (mesmo que em juízo de cognição sumária). Isso demonstra a seriedade do descumprimento de tais normas quando da produção da prova. Caso a interceptação seja realizada, mesmo que pela polícia, mas em desacordo com a lei, a prova obtida torna-se ilícita (tanto por ser ilícita e ilegítima, se for o caso) e o processo todo pode ser anulado. Tal prevê a teoria dos frutos da árvore envenenada, ou fruit of the poisonous tree theory, do Direito Americano. A referida teoria entende que caso uma prova seja obtida de maneira ilegítima ou ilegal (com desobservância do direito material ou processual) todo o restante do processo é contaminado por sua ilicitude. Tudo isso com a ressalva de que em casos excepcionalíssimos, a prova ilícita pode ser aceita no processo quando representar o único meio de absolvição do réu no processo penal (HC 74678 - STF) . No entanto, tal assunto não diz respeito especificamente ao assunto aqui tratado.

A mesma lei define em seu art. 10 o crime de interceptação ilegal:
Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.
Pena: reclusão, de dois a quatro anos, e multa.

A questão da definição do termo interceptação é tormentosa e é fruto de acalorados debates. No entanto, em síntese apartada, a interceptação seria a interferência do tráfego de informações ou conversas telefônicas realizada por um terceiro estranho à comunicação sem a permissão dos participantes, com o fim de captar o referido fluxo.

Dito isso, mencionamos os recentes casos de criminosos presos por furto qualificado, na retirada indevida de dinheiro de contas bancárias. Para que pudesse ser feita a interceptação de conversas em Instant Messenger, houve a necessidade de uma ordem judicial prévia para tanto. Tudo de acordo com a lei 9296/96. Igualmente, estes mesmos criminosos foram processados também por interceptação telemática ilegal, na medida em que captavam dados dos clientes bancários no momento em que eram transmitidos, enquandrando-se tal conduta no referido tipo penal.

Mas o cerne de toda essa discussão é: o ato de fotografar uma conversa ocorrida em um Instant Messenger, no momento que ela acontece, constitui o ilícito penal previsto na lei 9296/96? Em nossa opinião pessoal a resposta é sim se observado o conceito de interceptação exposto acima. A interferência que capta e reproduz a informação, mesmo que realizada por meio de fotografia deve ser considerada criminosa.

Outro ponto importante, e que contraria a nossa própria tese é: não estariam os ministros, ao realizar a conversa às lentes dos fotógrafos, aceitando a possibilidade de terem suas comunicações interceptadas? É certo que a privacidade é contextual, ou seja, depende do ambiente. Não nos esqueçamos do caso de pessoas que tiveram a conversa em chats públicos interceptadas e alegaram a invasão da privacidade digital, o que foi negado (RHC 18.116/SP - STJ). Nesse caso específico, em face daquele contexto, ou seja, de estarem em um ambiente público, sujeitavam-se elas à interceptação. Isso importa dizer que não há privacidade em um chat público de internet. Portanto, no caso do STF, devemos nos perguntar, há expectativa de privacidade no presente caso? Acreditamos que a resposta é que sim. Há a privacidade, pois as conversas foram realizadas em um Instant Messenger, no computador pessoal dos ministros e na rede privada do STF. Por certo, quando as conversas ocorriam os ministros não tinham a intenção e nem poderiam aceitar, mesmo que tacitamente, que suas comunicações pudessem ser interceptadas, seja através de um software específico para isso (sniffer ou keylooger) ou seja pela fotografia.

A questão da tipicidade da fotografia da tela configurar o crime de interceptação telemática ilegal é que merece a atenção dos juristas. Não podemos esquecer da impossibilidade de utilizarmos a analogia in malam parte, ou seja, para a condenação. A discussão deve ser pautada pelo cuidado de não realizar a analogia para a constituição do tipo penal. Mesmo assim, entendemos que o meio em que a interceptação é realizada é desimportante para a configuração do crime, desde que haja a real captação do fluxo de informações por terceiro estranho, no momento em que ele é produzido. Tal definição é importante, uma vez que a interceptação tem que ocorrer temporalmente no momento em que a informação trafega entre um ponto e outro. Isso é crucial para a tipificação; tanto que se a conversa já foi produzida e está armazenada digitalmente em um HD, por exemplo, e alguém a acessa indevidamente, não há o crime de interceptação telemática ilegal. Isso pois a informação já fora produzida e em razão disso, não há a captação ou interferência no momento de tráfego.

Com isso, o debate recai sobre a tipicidade de fotografar o fluxo de informações, se é que ele pode ser compreensível ao humano (não sendo linguagem de máquina, incompreensível à razão humana). Importante destacar a finalidade do ato de quem fotografa: havia a intenção de captar a conversa no momento em que era produzida? Salvo engano, não vemos a possibilidade da ocorrência desse crime na modalidade culposa. Em sendo assim, entendemos que quem fotografa uma tela de computador, em que há a conversa instantânea entre duas pessoas comete o crime em questão. É evidente que, em face da controvérsia acerca da consciência ou não da conduta criminosa, nada impediria que aplicássemos a teoria do erro de tipo, na qual o agente não tem consciência da ilicitude do ato.

Temos como conclusão, portanto, a configuração do crime de interceptação telemática ilegal quando um terceiro fotografa a tela de um computador, captando assim o fluxo de informações (de duas pessoas) ali produzido.

Direito da Tecnologia. Posted by Guilherme Damasio Goulart

Setembro 01, 2007

''Urubus'' da grande imprensa buscam ''réus' no congresso do PT


''Lá vão os urubus''. Esta frase, dita ontem (31) por um petista quando a imprensa cercava o deputado José Genoíno durante o 3º Congresso do PT, retrata a irritação dos militantes da legenda com a grande imprensa. Não é para menos. A quase totalidade dos jornalistas dos grandes veículos de comunicação que estão cobrindo o 3º Congresso Nacional do PT parece ter sido escalada com uma tarefa única: sustentar o noticiário que busca criminalizar integrantes da legenda.

No saguão de entrada do Centro de Exposições Imigrantes, onde acontece até amanhã o 3º Congresso Nacional do PT, jornalistas da Globo, SBT, CBN, Folha de S. Paulo, Estadão, Reuters, Rádio Eldorado e vários outros se concentravam à espera de suas ''vítimas'', mostrando que se o ''mensalão'' não está na pauta prioritária do Congresso petista, pior para o congresso, pois esta é a pauta prioritária da grande imprensa.

Passaram pelo local, sem serem sequer notados pelos jornalistas, diversos senadores, deputados, governadores e membros da executiva nacional do PT. Mas bastou a chegada do deputado José Genoíno --que agora responde a processo no Supremo Tribunal Federal-- para que um grande agito tomasse conta dos profissionais da mídia ali presentes. Diante do alvoroço dos jornalistas, um militante petista observou: ''Lá vão os urubus''.

Genoino foi bombardeado com perguntas sobre o caso do ''mensalão'' e, visivelmente incomodado com o assédio da imprensa, deu respostas protocolares, deixando os jornalistas sem a ''manchete'' que desejavam.

O mesmo cerco se formou em torno de outros petistas que também foram envolvidos na denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República, como os deputados João Paulo Cunha e o ex-ministro José Dirceu.

Dirceu só escapou de um cerco mais pertubador porque o assédio dos militantes petistas que queriam cumprimentá-lo e tirar fotografias ao seu lado foi maior que o dos profissionais da mídia que o persegue.

''Gol''

Dentro do plenário, na área reservada à imprensa, percebia-se o frenesi dos jornalistas em busca de notícias sobre os ''mesaleiros''. A certa altura, um repórter do SBT perguntou se algum tinha visto o professor Luizinho --ex-deputado petista que também é réu no processo do STF-- diante da resposta negativa, questionou sobre a presença de outros ''mensaleiros'' e, percebendo que não seria fácil encontrar sua ''presa'', recolheu-se sem dar importância para o que faziam ou falavam os outros 3 mil participantes do Congresso.

Os demais jornalistas que cobriam o evento para veículos da grande imprensa também ignoravam as sucessivas intervenções dos delegados sobre os temas debatidos no congresso. Mas bastava algum petista ocupar a tribuna para falar sobre a crise interna do partido que as atenções logo eram despertadas.

Um jornalista da Folha, que estava ao meu lado, vibrou e chegou a gesticular com os braços como quem comemora um gol, quando o ex-deputado federal Gilney Viana, do Mato Grosso, passou a fazer críticas mais ácidas contra os dirigentes petistas envolvidos no chamado ''esquema do mensalão''. As palavras de Viana foram logo anotadas pelos jornalistas presentes.

Aliás, é interessante observar como os repórteres de política da grande imprensa se relacionam bem, trocando informações e combinando a versão que darão aos ''fatos''.

Partido da imprensa

Entre os participantes do congresso que ocuparam a tribuna para defender as teses em debate, as críticas a este comportamento da imprensa eram constantes.

O deputado estadual José Guimarães (PT-CE) afirmou que o 3° Congresso Nacional do PT deve excluir da agenda de debates a ''intriga política e a futrica'', que alimentam a mídia. Para ele, esse é um dos pontos de discussão mais polêmicos do evento. “Não deixemos que o nosso Congresso seja contaminado com essa agenda negativa, pois não é isso que vai garantir a unidade do partido”, afirmou.

Para Guimarães, não é possível que um partido com quase um milhão de filiados não disponha de instrumentos de debate político e formulação. “A militância fica a reboque daquilo que a mídia quer, muitas vezes, fazer contra nós”, avaliou.

O secretário de Movimentos Populares do PT, Renato Simões, preferiu ironizar a imprensa que, “há mais de 25 anos, tenta entender a luta interna do PT e continua reduzindo e estigmatizando a riqueza da pluralidade petista”.

O ex-ministro da Saúde, Humberto Costa, também tocou no assunto e reclamou: ''quando abrimos os jornais, parece que eles (a grande imprensa) estão falando de outro congresso, não do congresso do PT''.

Não só na tribuna, mas também nos corredores do congresso, eram comuns as reclamações dos delegados petistas contra a perseguição da imprensa ao partido.

Renato Rabelo: democratizar os meios de comunicação

Mas foi um não petista quem fez a denúncia mais contundente contra os ataques da mídia à esquerda, ao governo Lula e particularmente ao PT. No ato político de abertura do congresso, na noite e ontem, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, enfatizou que dois desafios prioritários se colocam para os partidos de esquerda neste momento: a reforma política e a democratização dos meios de comunicação.

''Realmente, a liberdade de imprensa no Brasil está ameaçada. Ameaçada por uma mídia monopolizada que divulga sua versão dos fatos políticos, econômicos e sociais a partir de um pensamento único e de uma linha única e portanto isso é uma ameaça à liberdade de imprensa'', disse Renato.

O dirigente comunista defendeu a criação de uma rede pública de rádio e televisão ''que possa democratizar nossos meios de comunicação''.

''Estamos diante de uma luta política e ideológica de monta. Denunciamos, por que não somos ingênuos, que esta tentativa de crimalizar o PT e tentar atingir o governo Lula é uma jogada do maior partido da direita em nosso país, que é o partido da mídia. A tentativa deles é, através dos ataques ao PT, é atingir a esquerda, dizer que a esquerda não tem moral nem competência para governar. Querem desqualificar a esquerda e, quanto a isso, nossa solidariedade ao Partido dos Trabalhadores', completou Renato, sendo aplaudido pelos participantes do Congresso que, do plenário, puxaram a palavra de ordem ''O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo''.

por Cláudio Gonzalez

Patrulha Ideológica

Recentemente a revista Veja junto com a Globo vêm travando uma guerra ideológica e patrulhamento dos livros didáticos que são distribuídos gratuitamente aos alunos pelos governos. A "denúncia" surgiu quando uma mãe disse que o livro da filha tinha conotações politico-ideólogicas marxistas e que isso ela não aceitava. A revista Veja, como era de se esperar, veio com a reportagem e a partir daí o diretor de "jornalismo" da Globo Ali Kamel se juntou ao coro anti-subversivo desses livros.
Os artigos de Kamel e de outros reacionários de plantão que acreditam no que ele e a Veja escrevem fez parecer que voltamos na era do macarthismo. O macarthismo ficou conhecido como a época em que o senador dos EUA Joseph McCarthy perseguia e denunciava qualquer um que ele achasse ter vínculo ou idéias que simpatizavam com o comunismo as quais eram chamadas de subversivas e que foi muito bem retratado no filme de George Clooney chamado Boa Noite Boa Sorte (Good Night Good Luck).

Kamel escreveu e pediu o cancelamento da distribuição dos livros de história que continham "erros" sobre assuntos como o período maoísta na China (o livro não dizia que Mao era responsável pelo assassinato de milhões de chineses), sobre o "sagrado" sistema capitalista e acusou o governo brasileiro de tentar doutrinar os alunos com tal ideologia esquerdista. A partir disso, o jornalista Luis Nassif entrou na discussão e apresentou a verdadeira intenção de Kamel que era a de favorecer a editora que pertence a Globo que teria perdido uma fatia dos milhões de reais que os governos destinam para a compra desses livros.

Vale lembrar que esse livro referido por Kamel fazia 10 anos que estava em circulação e que recentemente já teria sido reprovado e suspendido pela avaliação do MEC e de professores. Quem faz a seleção dos livros didáticos são o MEC e os professores das áreas referidas, portanto, não teria nenhuma interferência do governo na escolha, mas sim pura paranóia guerra fria de Ali Kamel.

Sou professor eventual de biologia da rede pública e já vi alguns livros que são distribuídos que continham muitos erros, mas se eu vou dar aula e os alunos possuem o livro, com certeza identificarei tais erros e corrigirei com os alunos. O mesmo vai ser feito pelos professores de história, pois se o livro tiver tais imprecisões históricas o professor vai saber corrigir isso com os alunos e pronto. Não precisa fazer tempestade em copo d´água como esta fazendo Kamel e seus patrulhas do CCC (comando de caça aos comunistas que existiu na época da ditadura brasileira) na imprensa. Qual será a verdade que Kamel quer que seja passada aos alunos da rede pública? Vai ver seria melhor os professores de história e geografia deixarem de lado esses livros para usar a revista Veja e o jornal O Globo onde Ali Kamel escreve suas asneiras, na sala de aula.

Não sei o porque do alarde de Kamel e outros com medo de isso "contaminar" a mente dos alunos e como ultimamente uma escritora aqui de Piracicaba escreveu que o "mal já foi feito". Que mal seria esse? Seria o mal de ter alunos contestadores do sistema tornando-os subversivos?
Garanto que esses 10 anos que o livro circulou nas escolas, não se formou grupos de estudantes Maoístas revolucionários tentando acabar com o sistema capitalista e nem fez aumentar a filiação do partido comunista no Brasil. Assim os alunos se interessassem e lêssem os livros com o intuito de formar uma ideologia, pois quem sabe assim não teríamos alunos tão apáticos como hoje em dia.

Enfim, essa discussão ainda esta dando o que falar e nada vai adiantar mais uma vez a imprensa vir com mais essa retórica anti-esquerda que adota diariamente para também tentar interferir no processo educacional tentando doutrinar até os professores com essa paranóia.