Junho 27, 2007

JORNALISTAS AUSTRALIANOS SÃO CONDENADOS POR PROTEGEREM FONTES


Os jornalistas australianos Michael Harvey e Gerard McManusforam condenados a pagar multa de sete mil dólares australianos por desrespeito ao tribunal, depois de terem se recusado a revelar a fonte de informação usada num artigo de Fevereiro de 2004, que causou incômodos ao governo federal.

A decisão judicial foi criticada pela Media, Entertainment & Arts Alliance, estrutura sindical que considerou que os jornalistas nunca deveriam ter sido acusados de desrespeito. A estrutura vê ainda a condenação como parte de uma campanha do governo australiano para silenciar eventuais fontes de casos sobre corrupção.

A Federação Internacional de Jornalistas(FIJ) também reagiu à sentença com preocupação, frisando, através da sua diretora para a Ásia-Pacífico, Jacqueline Park, que “a proteção das fontes é um dos pilares da liberdade de imprensa” e que “condenar jornalistas por defenderem um código ético e protegerem as fontes é, na prática, punir jornalistas por fazerem nada mais do que o seu trabalho”. A mesma responsável da FIJ afirmou ainda que a condenação produzirá “efeitos graves no jornalismo de investigação e no jornalismo de qualidade na Austrália”, e “compromete bastante a capacidade dos jornalistas australianos desempenharem o seu papel de vigilantes da democracia”.

Do Portal Imprensa

Junho 26, 2007

REVELADA CONSPIRAÇÃO INTERNACIONAL - O QUE A MÍDIA ESCONDE SOBRE A VENEZUELA

O jornalista chileno Hernán Uribe, da revista Punto Final, escreveu um artigo comentando a cooptação de veículos e jornalistas venezuelanos pela CIA. Segundo o artigo, a advogada Eva Golinder denunciou, no dia 25 de maio, em Caracas, que o Departamento de Estado dos Estados Unidos planeja financiar órgãos de imprensa e jornalistas venezuelanos. O plano da Divisão de Assuntos Educativos e Culturais é influir na política editorial dos veículos de comunicação, incentivando e estimulando a publicação de notícias contra o governo Chávez e incitando a população a atos golpistas.

Esse comportamento anti-Chávez se intensificou depois da não renovação da concessão do canal de televisão da RCTV, dentro dos limites da lei venezuelana. Uribe lembra, em seu artigo, que os mesmos veículos de comunicação que criticam a atitude do governo venezuelano omitem que nos Estados Unidos é adotado o mesmo mecanismo de permissão e renovação para emissoras de rádio e televisão, pelo prazo de oito anos, e que para obter a renovação da concessão as emissoras devem comprovar que “serviram ao interesse público”.

Recentemente, Michael J. Coops, membro da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos sugeriu reduzir esse prazo para três anos. “O uso do espaço radioeletrônico é um privilégio lucrativo, não um direito, e temo que a FCC não faça o suficiente para defender o interesse público”, escreveu Coops, defendendo uma postura mais rigorosa na análise da renovação das concessões de canais de rádio e televisão nos Estados Unidos.

Só que isso não é divulgado pela mídia latino-americana, inclusive a brasileira, sempre tão rigorosa na condenação à decisão administrativa, amparada pela legislação venezuelana, de não renovar a concessão do canal de televisão da RCTV.

Blog do Zé Dirceu

Junho 22, 2007

DO QUE A MÍDIA GOLPISTA ESTÁ RECLAMANDO???


Do que estão reclamando?

Quanto era a inflação na era FHC e quanto é hoje, nos tempos de Lula?

Qual era a taxa selic nos tempos de FHC e quanto está na era Lula??(APESAR DE SER A MAIOR DO MUNDO, É A MENOR DE NOSSA HISTÓRIA)

Qual era a taxa de desemprego na era FHC e na era Lula?

Quantas pessoas viviam abaixo da linha da pobreza no governo FHC e quantas vivem sob o governo Lula?

Quantas vezes na sua vida vocês noticiaram que o combustível abaixou de preço, SENÃO NO GOVERNO LULA?

Há quanto tempo você não via em seu bairro um pequeno comerciante, todo feliz, colocando uma singela plaquinha em sua murada: PRECISA-SE DE EMPREGADO.

Vocês que reclamam tanto do Fome Zero, conseguem enxergar o impacto desse dinheiro na economia das cidades mais miseráveis desse país?

Nossas exportações, ano a ano, batem todos os recordes.

O risco país chegou aos menores níveis, desde a sua criação, e hoje o Brasil discute com todas as nações do mundo de cabeça erguida e em pé de igualdade.

Que governo liquidou a dívida externa, dando uma banana para o FMI, que decidia até o valor de nosso salário mínimo?

O fato, cara mídia golpista, é que somados todos os defeitos do Governo Lula, somados todos os escândalos, QUE NÃO PODEM SER ATRIBUÍDOS EXCLUSIVAMENTE AO PT, JÁ QUE A ESTRUTURA PODRE SEMPRE EXISTIU - E INFELIZMENTE ALGUNS ALOPRADOS RESOLVERAM FAZER USO DELA - mesmo assim, com todas essas mazelas, o governo Lula, que não me trouxe nenhum benefício direto porque eu faço parte de uma minoria privilegiada deste país, mesmo assim, o governo Lula, para os miseráveis desse país, está superando com folga as realizações de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck.

Você tem todo o direito de não gostar do PT e do Lula. MAS, NÃO TEM DIREITO DE QUERER FAZER A SUA VONTADE PREVALECER SOBRE A VONTADE DE 60 MILHÕES DE BRASILEIROS QUE ELEGERAM E REELEGERAM LULA.

E MUITO PROVAVELMENTE, SE A CONSTITUIÇÃO PERMITISSE, ESSA MESMA POPULAÇÃO RE-RE-REELEGERIA LULA.

Sem medo de ser feliz!

Morcego Vermelho com a total colaboração do meu amigo Pankararú

Por República Vermelha

Junho 17, 2007

DESOBSTRUINDO A GOELA


Impedidos pela linha editorial de seus jornais de fazerem qualquer elogio ao governo Lula, os colunistas politicos e econômicos da mídia corporativa insistem sobre a tese de que Lula apenas deu continuidade à politica econômica do governo anterior. Isso é verdade? Então políticas como: o pagamento da dívida externa, a interrupção da escalada do aumento da dívida interna, a manutenção do câmbio livre, a estabilidade ou mesmo redução do preço das tarifas publicas, a não continuidade do processo de privatização, o aumento dos gastos em políticas sociais, o aumento dos recursos destinados à agricultura familiar, as medidas para popularizar o acesso ao crédito; essas políticas não constituíram mudanças? Não valem nada? Ou apenas são negadas para fazer valer a tese da "continuidade"?

Pior, agora alguns colunistas, como Noblat, começam a esnobar o bom momento econômico como uma estratégia do governo para evitar crises.

Perguntei a minha mãe o que ela achava das operações da PF, ela respondeu: "acho muito bom, Miguel, mas não vai dar em nada". Minha mãe é um bom modelo do pensamento médio. Não tem outra fonte de informação que não o jornal O Globo.

Ela admitiu, porém, que nunca, em sua vida, viu gente poderosa ser investigada e presa como agora: juízes, governadores e ex-governadores, desembargadores, deputados, grandes advogados e mega-empresarios. Mas disse: eles são presos e depois são soltos.

Bem, é importante distinguir as coisas. Os acusados são presos para facilitar as investigações. Presos, eles ficam isolados, permitindo à PF recolher provas. Trata-se de prisão provisória. Eles são soltos com Habeas Corpus, mas as denúncias continuam correndo pelos trâmites da Justiça. Em alguns casos, eles podem ser inocentados. E, dentre os que são inocentados, há os que são realmente inocentes, e os que são culpados. No caso dos inocentes, obviamente é bom que sejam inocentados, porque se cumpre a Justiça. No caso dos culpados, é um mal que sejam inocentados, mas pelo menos criou-se um desgaste enorme à sua imagem, rompeu-se o mecanismo que lhe permitia roubar, pregou-lhe um grande susto, nele e em seus comparsas, enfim produziu-se um exemplo público que inibirá outros ilícitos.

As pessoas precisam parar de avaliar somente a prisão como meio de reparar a criminalidade. O primeiro grande justiçador é a nossa consciência: quando um é pego pela Policia, mesmo que depois seja (equivocadamente) inocentado, o seu crime é exposto à sociedade, à sua familia e, sobretudo, à si mesmo. E se o sujeito for pego novamente, será bem mais difícil se safar pela segunda vez.

Enfim, é besteira falar que não deu em nada, visto que as investigações da PF desbaratam as quadrilhas, desmontando-lhes as artimanhas que usavam para roubar os cofres publicos, gerando, portanto, economia. Além disso, as ações constituem em si um belo exemplo moral. E permitem um importante acúmulo de inteligência para a Polícia Federal e para a sociedade civil, que, ciente das maneiras como é usurpada, pode ficar mais atenta para que tais crimes não aconteçam novamente, votando melhor e monitorando políticos e autoridades através da imprensa e instituições civis.

Na sua coluna da semana passada, Arnaldo Jabor pendura as chuteiras. Elogia Lula. Mas de uma forma tão rocambolesca que não vale muita coisa. Chama Lula de grande líder. Diz que nenhuma liderança teve tanta popularidade (70% de aprovação, admite Jabor) e chance de fazer um grande governo como Lula, nem JFK, nem Vargas, nem FHC. Mas não indica que a causa deste sucesso estaria em acertos do governo Lula.

Por fim, Jabor pede que a sociedade apóie Lula, para que ele possa dar jeito no Brasil. Mas o que Jabor chama de sociedade é nada mais nada menos que Fernando Henrique Cardoso e o PSDB. Aí Jabor dá uma surtada básica e pede a Lula que privatize as estatais corruptas. Queria saber que estatal ele quer que Lula privatize: a Petrobras? O Banco do Brasil? A Caixa Economica Federal? Humm. Sem comentários sobre isso. Ridículo Jabor louvar o acúmulo de prestígio e popularidade de Lula e querer que ele o use para executar o programa do candidato derrotado. Sem contar que Jabor diz que Lula, para se livrar do PMDB "podre", devia se ligar ao PSDB, que seria exemplo de santidade e ética na política. Ah ah ah! Jabor, por favor, vá ler o ultimo livro do Luis Nassif, sobre a roubalheira que foi a maxi-desvalorizaçao cambial de 1999. Ou então, vá se tratar numa ambulância super-faturada no tempo do Serra, ou viajar numa estrada esburacada feita pela Gautama, nos áureos tempos tucanos.

Ah, por falar em ambulância, interessante esta morte súbita do Abel Pereira, um dos responsáveis para máfia das ambulâncias. Alguns diriam que se trata de queima de arquivo… Evidentemente, nao fosse um escandalo ligado à tchurminha de penas, a imprensa teria se esbaldado em maliciosas suposiçoes....

Escrito por Miguel do Rosário

Junho 07, 2007

O QUE OS EDITORIAIS DA GLOBO PODEM NOS ENSINAR


Editorial de O Globo defende que Lula adote agenda derrotada nas urnas e abandone antigos aliados, classificados como autoritários e terroristas, que estariam ameaçando a democracia. De ameaças à democracia a Globo entende.

Uma boa parte da imprensa brasileira tem o hábito de querer ditar aos
governantes o que eles devem fazer, com quem devem andar, que políticas devem adotar. Indo muito além das atribuições de bem informar a população e de ajudar a desenvolver o espírito crítico no país, não raras vezes arroga-se o direito de determinar qual o caminho que os governos devem seguir. Embora não tenham sido eleitas para tanto, essas vozes pretendem representar, sem mandato, o que seria a posição da imensa maioria da sociedade e, assim, ensinar ao governante de plantão o que ele deve e não deve fazer. Um exemplo disso é o editorial do jornal O Globo, publicado na edição de 25 de maio deste ano. Intitulado “Escolha de aliados”, o editorial “recomenda” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem devem ser seus aliados e quem estão proibidos de sê-lo.

O texto coloca muitos gatos diferentes no mesmo saco.Faz isso não por
desrespeito à lógica ou aos gatos, mas sim por uma astúcia e tática
política. Quem são os gatos colocados no mesmo saco: os manifestantes que ocuparam as instalações da hidrelétrica de Tucuruí, o MST e movimentos similares, os sindicalistas contrários à emenda 3 e os estudantes que ocuparam a reitoria da Universidade de São Paulo (USP). O editorial não economiza qualificativos para definir esses movimentos: terroristas, ultra-esquerdistas, inimigos da democracia, autoritários e populistas. Sem estabelecer qualquer distinção entre esses diferentes episódios, articula-os como uma suposta escalada autoritária que estaria ameaçando a Constituição e a democracia brasileira. E defende que o presidente Lula se afaste imediatamente desses antigos aliados e também dos “populistas” Evo Morales e Hugo Chávez.

O editorialista de O Globo escreveu: “Muitas dessas organizações que atentam contra a ordem constituída se valem de antigas alianças com o PT e da proximidade do presidente, que, de forma temerária, já permitiu que uma bandeira do MST fosse desfraldada em seu gabinete, enquanto ostentava um chapéu do movimento como se fosse um dos militantes que desrespeitam a lei ao invadir propriedades privadas e depredar instalações de empresas.

Espera-se que, assim como Lula parece ter entendido o que de fato representa para o país em ameaças a ação deletéria dos populistas Hugo Chávez e Evo Morales no continente, também compreenda que, para levar adiante o projeto de colocar o Brasil num longo ciclo de crescimento sustentado, terá de abandonar pela estrada antigos aliados, beneficiários de todo um arcabouço de normas e leis feitas para transferir dinheiro público para minorias privilegiadas”.

Recordar é viver

Impossível não registrar o ato falho. Ao falar da transferência de dinheiro
público para minorias privilegiadas, o editorial parece estar, na verdade,
falando da história da Rede Globo e do processo de constituição de seu
império midiático no Brasil. São bem conhecidos os laços da Globo com a
ditadura militar no Brasil. Não custa lembrar alguns dos momentos, onde o grupo manifestou todo seu compromisso com a verdade e a liberdade de imprensa. O verbete sobre Mídia que Gilberto Maringoni escreveu para a Enciclopédia Latinoamericana refresca a nossa memória: foi nos anos 1970, na fase mais repressiva da ditadura militar(1964-1985), que a Globo consolidou sua liderança. Esse objetivo foi alcançado, entre outras coisas, através da prestação de alguns serviços para o regime. Maringoni relaciona alguns deles:

1975 - Veiculou a versão oficial, de suicídio, acerca da morte do jornalista Vladimir Herzog, nas celas da polícia política em São Paulo.

1982 - Envolveu-se no escândalo das fraudes na apuração das eleições para governador no Rio de Janeiro, na qual saiu vencedor seu principal desafeto, Leonel Brizola. A empresa responsável pela contagem dos votos apontava como favorito o candidato apoiado pela Globo que, por sua vez, veiculava a notícia nacionalmente. Brizola desmascarou a fraude e tornou-se, até sua morte, persona non grata na programação global.

1984 - Tentou apresentar o maciço movimento das Diretas-Já, que galvanizou o país, como sendo apenas uma festa alusiva ao aniversário da cidade de São Paulo.

1989 - Na primeira campanha eleitoral direta para a presidência da República após a ditadura, a empresa de Roberto Marinho editou de maneira truncada o último debate entre os candidatos Fernando Collor de Mello, por ela apoiado, e Lula. O encontro terminara altas horas da noite, com uma audiência reduzida. Uma versão compacta foi exibida no dia seguinte, nos noticiários vespertino e noturno, de larga audiência, mostrando os melhores momentos de Collor e os piores de Lula. O fato ocorreu dois dias antes da disputa nas urnas e impediu uma resposta por parte do candidato do PT.

Estratégia política no horizonte

Ao longo desse período, milhares de editoriais foram escritos, sempre
amparados em um suposto compromisso com a verdade, a democracia e a Constituição. Mas, para além da hipocrisia, esse editorial do dia 25 de maio carrega consigo uma astúcia política, a deflagração de uma espécie de terceiro turno das eleições presidenciais de 2006. Essa astúcia, que não se limita obviamente aos gabinetes da Globo, é tentar fazer com que o governo Lula defenda a agenda derrotada nas urnas.

A ausência de referência ao governo José Serra (PSDB) no caso da USP e a equiparação deste episódio com outros protestos, de forma generalizada, não é fruto do acaso. É Lula quem deve se livrar de seus antigos amigos baderneiros e terroristas. É Lula quem deve se afastar dos populistas Evo Morales e Hugo Chávez. É Lula quem deve se aproximar da agenda política defendida pela Rede Globo que, entre outras coisas, defende o aprofundamento da flexibilização da legislação trabalhista, a desregulamentação ainda maior da economia e o tratamento policial para conflitos sociais. Trata-se de um movimento cuja força não deve ser desprezada.

Há quem ache que a grande mídia sofreu uma grande derrota nas eleições de 2006. Pode até ser verdade, mas achar que ela perdeu sua força política e operacional seria um grave erro. Afinal de contas, mais do que nunca, empresas como a Globo são braços do grande capital, com estratégia econômica e política, de curto e longo prazo. A tentativa de fazer com que o governo Lula adote a agenda derrotada em 2006 e abandone seus antigos aliados é um claro sinal disso. Assim, mais do que simplesmente relembrar a trajetória da Globo e expor toda a hipocrisia que anima sua linha editorial, é importante conseguir vislumbrar em editoriais como o acima citado a estratégia política que se configura no horizonte.

Por Marco Aurélio Weissheimer

Junho 05, 2007

NA DITADURA, FINALMENTE A MÍDIA ALCANÇA O PODER

Na história brasileira, a primeira experiência formalmente democrática a partir de 1945/46 com o fim da ditadura do Estado Novo, a convocação de uma Assembléia Constituinte e a liberdade partidária. Não conseguiu durar sequer vinte anos. Os barões da mídia de então, praticavam um jornalismo ostensivamente partidário. Mas o poder daqueles jornais, revistas e emissoras de rádio, embora aparentemente poderoso era limitado.

Tanto que os candidatos apoiados – praticamente à unanimidade – pela mídia, sistematicamente perdiam eleições.

Em 1945, o brigadeiro Eduardo Gomes tinha praticamente toda a mídia brasileira em sua campanha para a Presidência da República. Pois o vencedor daquela primeira eleição democrática brasileira foi o marechal Dutra, ex-ministro de Getúlio Vargas que contou com discreto apoio do ex-ditador. Nas eleições seguintes, o brigadeiro volta a disputar a presidência da República, mas seu oponente é o próprio Getúlio Vargas, que abandona seu exílio voluntário numa fazenda em São Borja para voltar “nos braços do povo” à Presidência da República. Acompanhando a campanha de Getúlio Vargas, apenas o jornalista Samuel Wainer, então no O Jornal, jornal do grupo do maior poderoso da mídia de então, Assis Chateaubriand. Getúlio vence as eleições mas encontra uma mídia unanimemente unida na oposição ao seu governo. Tamanha unanimidade faz com que o presidente estimule Samuel Wainer a montar um jornal. Beneficiado por um empréstimo generoso do Banco do Brasil Wainer inaugura a imprensa popular no Brasil com a Última Hora, inicialmente lançada no Rio de Janeiro, pouco depois em São Paulo e em várias outras capitais importantes.

A ousadia de Wainer lhe custaria caro. Uma CPI na Câmara Federal - bafejada, apoiada e coberta com enorme destaque pela mídia de então – inicialmente busca comprometer Wainer pelo empréstimo recebido, mas termina por uma perseguição ferrenha alegando que Wainer não seria brasileiro nato. Nem antes, nem depois, jamais falou-se tanto em Bessarábia, região de onde viera a família Wainer quando emigrou para o Brasil.

Sufocado e isolado Wainer, a oposição e toda a mídia volta-se direto para seu objetivo: derrubar Getúlio Vargas. Arauto de uma campanha violenta e irracional, Carlos Lacerda misto de político e jornalista, discursa e publica editoriais violentos contra o presidente em sua Tribuna da Imprensa, coluna que mantinha no Correio da Manhã mas que transforma em jornal a partir de 1952. Em São Paulo, o aristocrático O Estado de São Paulo repercutia a tonitroante vociferação oposicionista.

Jornais empastelados

A pressão era tamanha que um membro da guarda pessoal do presidente decide “colaborar com o chefe” armando um atentado com a pretensão de matar Carlos Lacerda. No início de agosto de 1954, o atentado é perpetrado, mata um militar da aeronáutica que trabalhava na segurança de Carlos Lacerda e fere no pé o líder oposicionista.

A partir do fracassado atentado, a pressão aumenta até o paroxismo. Um inquérito militar instaurado no Ministério da Aeronáutica passa a ser o centro das atenções – com todo destaque midiático. No decorrer dos dias de agosto de 1954 a pressão sobre o Catete só faz aumentar. O destaque que o inquérito da Aeronáutica recebe é tamanho que, à medida que Getúlio vai sendo encurralado a “República do Galeão” vai ganhando poder, liberdade e autonomia. Getúlio resiste cada vez mais fraco e isolado até ser praticamente deposto. Uma reunião ministerial avalia o quadro com pessimismo na madrugada do dia 24 de agosto. Com um tiro no coração às 8h, Getúlio “sai da vida para entrar na história”.

A reação popular ao suicídio é tamanha mas sabe identificar os responsáveis. Os jornais são invadidos, depredados, empastelados.

Nas eleições seguintes a oposição decide mudar o candidato. Depois de duas derrotas consecutivas, o brigadeiro Eduardo Gomes recolhe-se e a mídia brasileira – ao lado das forças mais conservadoras opta por lançar o marechal Juarez Távora como candidato à presidência. Mas uma bem montada aliança faz de Juscelino Kubitscheck um vencedor, embora não tenha obtido a maioria absoluta – como aliás, a maioria dos seus predecessores.

Apesar da famosa frase de Carlos Lacerda “ele não será candidato; se for, não vencerá as eleições; se vencer, não tomará posse; se tomar posse não governará”, Juscelino é candidato, vence as eleições, toma posse (somente graças a um contra-golpe preventivo do general Teixeira Lott, ministro do Exército) e ainda se torna o primeiro civil a cumprir um mandato integral de presidente na história do Brasil. Apesar de ter enfrentado sérios movimentos militares que visavam derrubá-lo.

Embora consiga alguns apoios isolados aqui e ali, a mídia continua ostensivamente oposicionista. Juscelino constrói uma imagem de seriedade, respeitabilidade, bom senso e simpatia apesar dos jornais. Neles, aparecia o corrupto, o populista, o “presidente bossa-nova”, como na canção de Juca Chaves.

Escolha populista

Tantos fracassos sucessivos levam a grande mídia conservadora a buscar um candidato mais condizente com o perfil populista dominante na política. Encontra Jânio da Silva Quadros que iniciou uma carreira política em São Paulo como candidato a vereador sem se eleger, mas depois que assume como suplente segue uma carreira meteórica. É eleito prefeito de São Paulo e governador de São Paulo com votações sempre consagradoras. E o apoio dos jornais e da mídia.

Desta vez quem comparece com um candidato militar é a coligação situacionista. Legalista e tornado conhecido e popular por liderar o contra-golpe que permitiu a posse de Juscelino, o marechal Teixeira Lott polariza a disputa presidencial com Jânio Quadros. Pela primeira vez, um candidato apoiado pela UDN, pela mídia e pelos conservadores assume o poder. Histriônico, Jânio tenta governar sem apoio no Congresso e ainda desejando desvencilhar-se do grupo udenista que o apoiou. Permaneceu sete meses no governo até renunciar. João Goulart, que já fora vice-presidente de Juscelino, embora fosse lançado e apoiado pela coligação que apoiava Lott venceu as eleições para vice-presidente (a constituição de 1946 previa eleições distintas para presidente e vice).

Em missão na China quando da renúncia, Goulart só viria a assumir o poder depois de dias de negociações. Embora a Constituição fosse clara, o veto militar era poderoso e categórico. Foi preciso uma habilidade de Tancredo Neves para mudar a constituição, instaurar um regime parlamentarista para que Goulart pudesse assumir a Presidência da República sem tomar o poder. Foi o que se sucedeu. Com crises sucessivas e trocas freqüentes de gabinete, o governo Goulart, sofreu sobretudo com sua base de apoio que permanentemente pressionava-o a avançar. Goulart consegue antecipar o plebiscito que lhe restaura os poderes presidencialistas, mas a votação espetacular deveu-se muito mais ao fato de que sua sucessão prometia embates entre os grandes nomes da época. Nas eleições de 1965, cada partido se apresentaria com seu verdadeiro porta-voz. A UDN com Carlos Lacerda, o PSD novamente com Juscelino e o PTB com Leonel Brizola.

Mas as pressões foram tantas que Goulart governava como que respondendo aos impasses da conjuntura. Chega a solicitar o Estado de Sítio em setembro de 1963, mas não consegue apoio do Congresso. Em 1964 conduz o governo rumo às chamadas “reformas de base”. Apesar de um vigoroso comício em 13 de março de 1964 – com transmissão ao vivo para São Paulo e Rio de Janeiro, Goulart consegue mobilizar sua oposição que também sai às ruas em marchas com enormes multidões.

Seu governo não resiste ao mês de março. Tropas começam a marchar rumo ao Rio de Janeiro a partir de 31 de março e, em primeiro de abril, embora ainda estivesse em território brasileiro, o presidente da Câmara declara vaga a presidência da República.

Nos anos imediatamente subseqüentes a 1964, boa parte daquela mídia que infernizou os governantes de então foi fechando as portas. Mas a mídia que sobrevive finalmente se encontra com o poder.

Na democracia, a mídia perdeu todas. Acreditou que finalmente tomaria o poder na ditadura. Em parte, foi bem sucedida. O que veio depois constitui-se em outra fase de nossa história. Seja na política, seja na configuração e constituição do que podemos chamar de sistema midiático.

Por Victor Gentilli

Junho 02, 2007

É FATO - PREÇOS DA GASOLINA DESPENCA EM PORTO ALEGRE


Já faz uma semana, segundo me informou o frentista do posto onde abasteci ontem, que a gasolina caiu de 2,50 para 2,30, mas tenho quase certeza de que estou furando todos os jornais da grande M, onde não vi nada sobre isso.

A queda foi de 8% (!!!) em uma semana!

Mas isto, claro, os bananas da RBS e outras lojas de "conveniências " não acham que seja notícia.

Tchê! Como é fácil fazer jornalismo de verdade onde quase ninguém faz!

Por Jean Scharlau

Patrulha Ideológica

Recentemente a revista Veja junto com a Globo vêm travando uma guerra ideológica e patrulhamento dos livros didáticos que são distribuídos gratuitamente aos alunos pelos governos. A "denúncia" surgiu quando uma mãe disse que o livro da filha tinha conotações politico-ideólogicas marxistas e que isso ela não aceitava. A revista Veja, como era de se esperar, veio com a reportagem e a partir daí o diretor de "jornalismo" da Globo Ali Kamel se juntou ao coro anti-subversivo desses livros.
Os artigos de Kamel e de outros reacionários de plantão que acreditam no que ele e a Veja escrevem fez parecer que voltamos na era do macarthismo. O macarthismo ficou conhecido como a época em que o senador dos EUA Joseph McCarthy perseguia e denunciava qualquer um que ele achasse ter vínculo ou idéias que simpatizavam com o comunismo as quais eram chamadas de subversivas e que foi muito bem retratado no filme de George Clooney chamado Boa Noite Boa Sorte (Good Night Good Luck).

Kamel escreveu e pediu o cancelamento da distribuição dos livros de história que continham "erros" sobre assuntos como o período maoísta na China (o livro não dizia que Mao era responsável pelo assassinato de milhões de chineses), sobre o "sagrado" sistema capitalista e acusou o governo brasileiro de tentar doutrinar os alunos com tal ideologia esquerdista. A partir disso, o jornalista Luis Nassif entrou na discussão e apresentou a verdadeira intenção de Kamel que era a de favorecer a editora que pertence a Globo que teria perdido uma fatia dos milhões de reais que os governos destinam para a compra desses livros.

Vale lembrar que esse livro referido por Kamel fazia 10 anos que estava em circulação e que recentemente já teria sido reprovado e suspendido pela avaliação do MEC e de professores. Quem faz a seleção dos livros didáticos são o MEC e os professores das áreas referidas, portanto, não teria nenhuma interferência do governo na escolha, mas sim pura paranóia guerra fria de Ali Kamel.

Sou professor eventual de biologia da rede pública e já vi alguns livros que são distribuídos que continham muitos erros, mas se eu vou dar aula e os alunos possuem o livro, com certeza identificarei tais erros e corrigirei com os alunos. O mesmo vai ser feito pelos professores de história, pois se o livro tiver tais imprecisões históricas o professor vai saber corrigir isso com os alunos e pronto. Não precisa fazer tempestade em copo d´água como esta fazendo Kamel e seus patrulhas do CCC (comando de caça aos comunistas que existiu na época da ditadura brasileira) na imprensa. Qual será a verdade que Kamel quer que seja passada aos alunos da rede pública? Vai ver seria melhor os professores de história e geografia deixarem de lado esses livros para usar a revista Veja e o jornal O Globo onde Ali Kamel escreve suas asneiras, na sala de aula.

Não sei o porque do alarde de Kamel e outros com medo de isso "contaminar" a mente dos alunos e como ultimamente uma escritora aqui de Piracicaba escreveu que o "mal já foi feito". Que mal seria esse? Seria o mal de ter alunos contestadores do sistema tornando-os subversivos?
Garanto que esses 10 anos que o livro circulou nas escolas, não se formou grupos de estudantes Maoístas revolucionários tentando acabar com o sistema capitalista e nem fez aumentar a filiação do partido comunista no Brasil. Assim os alunos se interessassem e lêssem os livros com o intuito de formar uma ideologia, pois quem sabe assim não teríamos alunos tão apáticos como hoje em dia.

Enfim, essa discussão ainda esta dando o que falar e nada vai adiantar mais uma vez a imprensa vir com mais essa retórica anti-esquerda que adota diariamente para também tentar interferir no processo educacional tentando doutrinar até os professores com essa paranóia.