Março 26, 2007

Procuradores da República também são vitimas da seletividade de parte da mídia brasileira


Tendo em vista os recentes ataques recebidos de "O Globo" e "Revista Veja", em razão de minha atuação e do colega Sérgio Suiama (atualmente em férias e não mais PRDC em S.Paulo), eu gostaria de esclarecer alguns pontos aos interessados, inclusive contando desdobramentos que não foram, nem nunca serão, objeto de publicação.

1. O artigo de Xexéo (O Globo) foi respondido e pedimos que nossa carta (texto completo abaixo) fosse publicada desde que o fosse por inteiro, sem cortes, para que não tivéssemos interesse em eventual direito de resposta. A carta foi publicada, porém com cortes em pontos estratégicos, justamente aqueles nos quais falamos da falta de ética e truculência presentes no artigo. Pedi a publicação da parte suprimida, ainda que fosse na coluna "correções", o que não foi feito.

2. Antes de fazer a matéria do último domingo, a Revista Veja me entrevistou longamente. Não publicaram uma só linha de meus esclarecimentos.

3. Isso tudo só prova o que todos já sabem: a liberdade de expressão não é exatamente para "todos".

4. Quanto à possibilidade ou não de recomendação, esclareço que o que vem pautando nossa atuação é o entendimento de que é possível nos valermos dos instrumentos jurídicos de nossa atribuição (ações civis públicas, recomendações, termos de ajuste de conduta, etc.) para garantir a observância de princípios constitucionais, inclusive o relativo às finalidades educativas, no tocante à programação televisiva.

6. Novela também é "programação" (termo usado na CF, art. 221), por isso já utilizamos os instrumentos acima citados em casos de cenas relativas a pessoas com deficiência, índios e crianças, que continham ofensas a princípios constitucionais. Concordo que não se trata de espaço que podemos chamar de "sério", mas toda vez que aborda temas de direitos humanos, ou que faz "merchandising" social, me parece ser assunto sério e que tem um reflexo na formação de opinião da população.

7. Sei que há vários entendimentos em sentido contrário ao do cabimento de recomendação. Respeito muito essas opiniões e proponho que o debate seja aprofundado. O certo é que a mídia se une contra qualquer atuação de membros do MP que lhe toque. As ofensas à minha pessoa são, na verdade, uma estratégia para desestimular qualquer possibilidade de intervenção nessa temática.

8. Finalmente, e não menos polêmica, a questão escolar. Não abro mão de repetir que crianças com deficiência mental também têm direito inalienável ao ensino fundamental. Onde isso vai ser feito é um "capítulo" à parte. A novela quis levantar a bandeira da educação inclusiva. Sabemos que, quanto a esta, há aqueles que defendem que se trata de uma opção e há aqueles, nos quais me incluo (com ampla base júrídica), que defendem a educação inclusiva como direito. A novela só mostrou o lado da educação inclusiva como opção, posição muito querida principalmente por parte daqueles que, na verdade, são contra a inclusão educacional. Se a novela queria agitar a bandeira da inclusão, era ético que mostrasse os dois lados ou, ao menos, que citasse que a recusa de matrícula é crime.

9. Toda essa problemática sobre a "intervenção do MP na novela" não deve deixar que percamos o foco. Nossa única e exclusiva intenção era, a partir de um debate proposto pela própria novela, que a parte jurídica não fosse posta de lado. A adoção, por exemplo, foi abordada e toda a legislaçã foi até que muito bem explicitada. Por que a educação inclusiva foi tratada de maneira diferente? Foi porque não há unanimidade? Mais um motivo para ter abordado o tema com mais técnica e não deixar a população acreditando que não há leis que tratem do tema. E o pior: ao enfatizar as dificuldades passadas pela personagem "Helena" (a qual retrata o que todas as mães de crianças com deficiência já passaram, em maior ou menor proporção), sem apontar um "o que fazer", contribuiu muito para destimular o acesso às escolas comuns.

10. A emissora respondeu informalmente dizendo que os últimos capítulos já estavam fechados e não seria possível atender à recomendação. Propôs fazer uma campanha a respeito do tema. Pedi para formalizarem a resposta.

Peço àqueles que puderem que divulguem esses esclarecimentos às pessoas interessadas no tema e que acompanham nosso trabalho. Tudo isso tem sido muito desgastante, mas creio que contribui para ampliar o debate. Agradeço a todos os amigos e representantes de movimentos pró-inclusão que se manifestaram a favor de nossa atuação. Só espero que esses movimentos se mantenham coesos em torno de nosso objetivo principal e que esses ataques não gerem prejuízo a esse objetivo. Para evitar que isso ocorra, nossa intenção é não dar mais qualquer resposta a esse tipo de provocação.

Atenciosamente,
Eugênia Augusta G. Fávero, procuradora da República em São Paulo

CARTA AO JORNAL "O GLOBO"

O texto de Artur Xexéo, publicado no dia 28 de fevereiro de 2007, nos surpreendeu pela truculência, falta de ética e confusão, atributos que não combinam com a imagem desse Jornal e do colunista.

Entretanto, a atenção dada ao tema é sempre bem vinda, pois ele é muito desconhecido e esse foi o fator principal que motivou nossa recomendação. A comparação feita por Xexéo, por exemplo, entre a conduta de frustrar a matrícula de crianças com deficiência mental e o homicídio, foi bastante salutar. Ela é correta pois ambos são fatos definidos como crime pela legislação brasileira. A diferença é que, quanto ao homicídio, todos sabem disso, quanto ao outro fato, não se pode dizer o mesmo.

Esclarecemos que a recomendação foi encaminhada no final da novela justamente porque, dessa maneira, ficou bem caracterizada a opção do autor por deixar o tema relacionado à educação inclusiva sem outras referências. Concordamos que o autor não tem a menor obrigação de fazer "merchandising" social, mas se o fez, deveria ter o cuidado de não induzir o telespectador a erro, como ocorreu. Até mesmo o experiente jornalista confundiu-se e achou que a criança tinha sido finalmente matriculada em uma escola especial, conforme se verifica de seu texto.

Esclarecemos ainda que: 1) Ministério Público e Estado são entes distintos e não devem ser confundidos como fez o jornalista; 2) as frases colocadas entre aspas para criticar a redação da recomendação não constam daquela maneira no documento; 3) o jornalista suprimiu trechos daquelas frases sem utilizar-se do recurso "[...]", como forma de desqualificar o trabalho desses procuradores.

Finalmente, queremos deixar claro que repudiamos toda forma de censura e que consideramos ofensiva a associação feita por Artur Xexéo entre atos de censura e o uso de meios lícitos e jurídicos para garantir o atendimento de princípios constitucionais por parte das emissoras de televisão.

São Paulo, 28 de fevereiro de 2007.

Eugênia Augusta G. Fávero e Sérgio Gardenghi Suiama Procuradores da República em São Paulo

Março 24, 2007

EM EXPERIÊNCIA INÉDITA, AGÊNCIA BRASIL INAUGURA COLUNA DO OUVIDOR

A partir de amanhã (23), os veículos da Radiobrás terão mais espaço para a opinião de seus leitores, ouvintes e telespectadores por meio do trabalho do ouvidor Paulo Sérgio Machado, que assumiu o cargo no início deste ano. A Ouvidoria da Radiobrás, que já funciona desde 2002, amplia seu trabalho e passa a ter espaços semanais na Rádio Nacional, na TV Nacional e na Agência Brasil. O objetivo é mostrar comentários, sugestões e críticas sobre as coberturas jornalísticas de cada veículo.

Ouvidorias são canais permanentes de diálogo com os cidadãos e atuam sob sua demanda. Um trabalho que difere um pouco do conceito de ombudsman, palavra de origem sueca que significa "representante" ou "procurador". Nos veículos de comunicação, o papel do ombudsman é, além de ouvir as reclamações e sugestões, fazer uma análise crítica sobre o trabalho do próprio veículo. Atualmente, no Brasil, apenas dois jornais impressos possuem uma coluna para o trabalho de um ombudsman: Folha de S.Paulo e O Povo.

No caso da Agência Brasil, uma das agências de notícia da Radiobrás, a presença de um ouvidor será uma iniciativa inédita dentro da internet. A Coluna do Ouvidor, que será publicada todas as sextas-feiras, irá avaliar as matérias publicadas na agência, de acordo com as demandas dos leitores. Na rádio, a participação do ouvidor será no programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional, que vai ao ar das 6 horas às 8 horas, em rede nacional. Na TV Nacional, o espaço reservado ao ouvidor será nos telejornais Repórter Nacional, veiculado às 8 horas e às 21 horas.

De acordo com o ouvidor da Radiobrás, Paulo Sérgio Machado, a ouvidoria também prevê um programa de educação para a mídia, que irá ajudar a formar jovens estudantes para fazer uma crítica dos meios de comunicação. A proposta surge a partir de uma parceria com universidades para analisar conteúdo levado ao ar pela Radiobrás. "Este é um trabalho de formação e de informação do público, que é uma das funções da ouvidoria", explica.

Ele afirma que o principal parâmetro da ouvidoria será o direito à informação, contemplado pela Constituição Federal e pela missão da Radiobrás. "Alem disso, todos os parâmetros que usamos para o nosso trabalho e que estão contemplados no Manual de Jornalismo da Radiobrás vão nortear a analise crítica que faremos na ouvidoria", diz Machado, lembrando que os jornalistas da Radiobrás estão submetidos, além do Código de Ética da Profissão, ao Código de Ética do Funcionalismo Publico.

O ouvidor da Radiobrás diz que outro objetivo da ouvidoria é completar o ciclo da comunicação entre os jornalistas, que produzem as notícias, e os receptores. "A comunicação pressupõe emissão e recepção. Mas quem emite geralmente não está acostumado a receber, e vice-versa", explica. Paulo Sérgio Machado acrescenta que o trabalho da Ouvidoria vai permitir ao jornalista avaliar o trabalho realizado e melhorar a comunicação com o leitor. (AB)

Março 22, 2007

IMPRENSA NÃO DEBATE SEUS PROBLEMAS


Os jornais e revistas brasileiros quase não falam sobre a própria imprensa. Quando o fazem, elegem a televisão como alvo prioritário, e evitam "temas espinhosos", como o controle de jornais por políticos e regulação da propriedade de meios de comunicação, por exemplo. Os dados constam da pesquisa "Mídia e Políticas Públicas de Comunicação", realizada pela Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), com apoio da Fundação Ford.
Os pesquisadores da Andi há anos monitoram a forma como os jornais retratam os problemas da infância no país. Agora, puseram a lupa sobre mais de mil textos publicados entre 2003 e 2005, de 53 diários e 4 revistas semanais, cujo conteúdo se relacionava com o "tema mídia". Na média, cada jornal publicou apenas um texto sobre a imprensa a cada cinco dias.

É como se o chamado quarto poder só se preocupasse com os outros três. "A pergunta que se coloca, depois do resultado da pesquisa, é: por que o jornalismo não cobre a mídia como instituição relevante para a democracia?", disse o cientista político Guilherme Canela, um dos autores do estudo.

Em entrevista a Terra Magazine, o pesquisador defende o debate sobre um novo marco regulatório para a imprensa. Ele considera que há uma "estratégia" dos empresários de mídia de relacionar à censura qualquer iniciativa de discussão sobre políticas públicas de comunicação.

A íntegra da pesquisa pode ser lida em www.andi.org.br/_pdfs/midia_ppc.pdf. Leia a seguir a entrevista de Canela:

Terra Magazine - A imprensa brasileira dá ao "tema mídia" a importância devida? Como a imprensa se comporta quando fala de si própria?
Guilherme Canela - Para responder essa pergunta vale ressaltar a seguinte premissa: nossa pesquisa partiu da convicção de que a mídia é uma instituição central para as democracias contemporâneas. Se isso é verdade, podemos medir se a mídia fala muito ou pouco dessa instituição. O resultado encontrado, na nossa visão, demonstra que a mídia não denota a si o espaço devido. Nos 53 jornais analisados, há um texto a cada cinco dias sobre o assunto. Responder se isso é pouco ou é muito só é possível se você assume ou rejeita a premissa inicial, que é a importância da mídia para as democracias contemporâneas. Entendemos que a mídia é uma instituição essencial, portanto uma matéria a cada cinco dias é muito pouco. Imagine se qualquer outra instituição relevante para a democracia, como o Judiciário, o Legislativo, o Executivo, tivesse uma cobertura tão exígua. A primeira pergunta que se faria é: por que a imprensa não cobre o Legislativo, por que não cobre o Executivo? A pergunta que se coloca, depois do resultado da pesquisa, é: por que o jornalismo não cobre a mídia como instituição relevante para a democracia?

A pesquisa conclui que a imprensa é "seletiva" ao falar de si própria. Que temas são desprezados ou não encarados como prioritários?
A conclusão inicial é que a midia fala muito pouco de si própria e se comporta de forma seletiva quando fala de si própria. São introduzidos temas que são menos espinhosos. Mais de 50% das matérias se concentram nas questões de conteúdo, ou seja, qualidade de programação, baixaria na programação, mas essas questões são a ponta do iceberg. A base da discussão da regulação das comunicações tem a ver com outras questões, que se somam a essas. Discussões relevantes são praticamente ausentes da cobertura, como mídia e democracia, mídia e regulação da propriedade, mídia e relação com politicos eleitos.
Nós verificamos na pesquisa qual é o principal meio de comunicação retratado na matéria. E 60% da cobertura focaliza a televisão. Só 18% focaliza jornais. Ou seja, a imprensa escrita fala pouco das políticas de comunicação; quando fala, se concentra em conteúdo e, sobretudo, na televisão. Os problemas e conteúdos complicados do jornalismo impresso são menos debatidos por eles mesmos do que as questões de um veículo concorrente, que é a TV.
Ainda em relação à temática, nossa pesquisa tenta alinhavar os conceitos da comunicação que aparecem mais nas matérias. Dois conceitos ganham muito destaque na cobertura: censura e liberdade de expressão. A estratégia de levantar o tema da censura e do cerceamento da liberdade de imprensa diante de qualquer iniciativa de debater as políticas de comunicação tem sido uma estratégia muito recorrente dos empresários da comunicação no Brasil, que acaba se refletindo nas matérias. Não há uma discussão sobre o que é censura e liberdade de imprensa, os termos acabam usados como palavras de ordem nas coberturas, que acabam ofertando a voz dos proprietários dos veículos.

Que diferenças a pesquisa detectou nas abordagens feitas pela chamada grande imprensa e pelos jornais regionais?
Quando há cobertura de políticas públicas de comunicação, os jornais do eixo Rio-São Paulo e as revistas são os protagonistas. Isso merece uma análise específica, pois está muito relacionado ao fato de que parte significativa da imprensa regional tem ligações muito perigosas com essas questões que estamos discutindo na pesquisa. Estamos perguntando se a imprensa discute o fato de que muitos políticos detém muitos veiculos de comunicação. Boa parte dos jornais pesquisados se enquadra nesse problema, então seria esperar demais que eles estivessem levando adiante essa discussão. Mesmo dentro da grande imprensa é possível perceber que os jornais inseridos num contexto de propriedade cruzada - ou seja, quando sua holding também detém TV, rádio, internet etc - acabam cobrindo menos essas temáticas. A regulação que existe em outros países sobre a propriedade cruzada tem impacto na própria qualidade do jornalismo praticado. Porque acaba estimulando os jornais a não abdicar da discussão sobre as políticas de comunicação.

A imprensa brasileira é democrática?
É importante dizer que houve, após o período de democratização do país, enormes avanços na cobertura jornalística das mais variadas temáticas. Por exemplo, a infância, que é o que a gente acompanha mais de perto. Quando começamos a analisar como a imprensa brasileira cobria essa questão, a fonte principal, disparada na frente, eram os órgãos governamentais. Hoje a sociedade civil acaba tendo mais presença do que os poderes públicos. Esse exemplo denota que, ao longo da década de 90, a imprensa tem seguido os passos de abrir mais a sua cobertura para outras vozes e colocar outros ângulos nas questões prementes da democracia brasileira.
As mesmas pesquisas que mostram avanços indicam que ainda há muito o que fazer. Em mais de 20 temas, como educação, desenvolvimento nacional, a média de menções a opiniões divergentes é de 10,1%. É muito pouco. Os cânones consagrados do bom jornalismo não estão sendo seguidos à risca. Um dos primeiros elementos que se colocam é o de que é preciso escutar as diferentes opiniões na sociedade. Isso tem impacto na avaliação de se a nossa imprensa é ou não democrática. Ela é democrática, mas pode avançar muito na construção dessa democracia.
A relação da mídia com a democracia está muito conectada ao marco regulatório que cada país decide ou não adotar. Países nos quais existem critérios como regulação da propriedade cruzada, direito de antena, direito de resposta e cotas de programação regional têm uma mídia mais democrática e que colabora mais para a consolidação da democracia.

"Democratização dos meios de comunicação" é um termo vago, muitas vezes confundido com intervenção estatal e com cerceamento da atuação de determinados meios. Como o senhor vê essa questão?
Eu partilho da premissa que está na sua pergunta. Não acho que seja um termo adequado. Prefiro regulação democrática dos meios de comunicação. Regulação sempre há quando o Estado intervém. A grande questão é saber se essa intervenção está fundamentada em parâmetros democráticos. O que está sendo proposto para que os meios de comunicação cumpram seu papel de pilares da democracia? A regulação que existe é suficiente? Foi produzida a partir de parâmetros democráticos? Uma regulação tem de permitir que os meios de comunicação exerçam seu papel central nas democracias contemporâneas, que é: oferecer informação contextualizada, ouvir e dar voz aos diferentes interesses e âmbitos na sociedade, agendar a própria sociedade, colocar o debate público, exercer controle social das políticas públicas, respeitar os direitos humanos. É preciso ter uma estrutura de concessão dos meios de comunicação que garanta a pluralidade de interesses, culturas e regiões que compõem a sociedade brasileira. Independentemente de a expressão ser democratizar os meios de comunicação, o ponto fundamental reside nesta questão: como é que se regula os meios, a fim de que eles cumpram seu papel na democracia, sem que essa regulação redunde em práticas de censura e aviltamento dos princípios constitucionais.

E que tipo de "marco regulatório" é compatível com liberdade de imprensa?
O ministro Hélio Costa disse que vai mandar para o Congresso uma nova lei de comunicação de massa. Nossa lei ainda é da década de 60. Uma das maneiras pragmáticas de evitar qualquer deslize na proteção à liberdade de imprensa é um debate aprofundado sobre essa nova legislação. Os Estados Unidos levaram sete anos de audiências públicas para chegar a uma nova legislação. Ao fazer essa discussão, os nossos parlamentares e o governo devem buscar entender o que está acontecendo no cenário internacional. Essa pesquisa que acabamos de lançar mostra que tudo o que discutimos tem espelho em países democráticos. Essas regulações que estamos propondo não saíram de uma percepção inédita da Andi ou dos especialistas que foram consultados. Elas existem e estão implementadas no cenário internacinal. Deve ser respeitado o medo de que algum cerceamento de liberdade de impresa ocorra a partir de uma regulação. Mas esse medo pode ser contornado ao se olhar como as demais democracias têm trabalhado a questão.

Como o sr. vê o projeto do governo de criação de uma rede pública de TV?
Uma das formas de regulação que tem sido trabalhadas para que a mídia contribua no aprimoramento da democracia tem sido o desenho de sistemas públicos de televisão. Os casos conhecidos são a BBC, o caso austríaco, o sistema PBS dos Estados Unidos, o caso da África do Sul. A discussão é extremamente pertinente para o fortalecimento da democracia de qualquer país. Mas precisamos debater à exaustão como será essa TV pública. Para dar um exemplo extremo, nos países ditatoriais ou totalitários comunistas, a TV era pública, não havia TV privada, mas a liberdade foi constantemente cerceada nesses locais. O projeto do governo ainda não está claro. É preciso fazer um debate amplo com a sociedade para que se encontre um modelo que colabore para o fortalecimento da democracia.
Terra Magazine

Março 19, 2007

ANÁLISE - MÍDIA E DEMOCRACIA

O artigo de Luiz Gonzaga Belluzzo, hoje no “Valor”, mata a charada sobre o tema direito à informação. Trata-se de um direito individual do cidadão, do qual as empresas de mídia são intermediárias. É mais ou menos a discussão sobre a o conceito de democracia universitária. É um direito de quem trabalha e estuda lá, ou um direito do cidadão-contribuinte?

A mídia é fundamental no levantamento das informações dos diversos grupos sociais, setoriais, intelectuais, quando expõe o contraditório, os diversos ângulos de questões públicas relevantes, permitindo à sociedade como um todo formar consensos e assimilar e criar valores, como público e como agente dessas transformações.

Esse valor foi perdido ao longo dos anos 90, quando a grande mídia (entendidos por tal os veículos formadores de opinião) abandonou o conceito de relevância e da objetividade jornalística, enveredando por um misto de ficção com “esquentamento” de notícias (veja, sobre o tema, meu livro “O Jornalismo dos anos 90”)..

Já o valor da mediação foi abandonado no ano passado. Havia uma grande oportunidade para o veículo que praticasse jornalismo, que soubesse aprofundar a denúncia consistente e descartar a denúncia falsa. Principalmente, que não se deixasse contaminar pelo clima de preconceito que acabou tirando a legitimidade da cobertura junto a segmentos amplos da opinião pública. O preconceito acabou tirando a eficácia das denúncias.

Em outros tempos, havia preocupação dos veículos em separar a opinião do dono da cobertura do jornal. Nunca houve cobertura totalmente isenta, mas havia ao menos a preocupação em aparentar essa isenção.

Agora, rasgou-se o véu.

A questão da democratização da mídia – nada a ver com TVs estatais, ou conselhos tutelares – passa a ser um dos temas centrais de discussão sobre a modernização institucional do país. Principalmente quando se percebe que grande parte da responsabilidade por esses anos todos de estagnação foi desse pensamento único, da falta de um arejamento maior da discussão, em uma arena onde o dono da bola definia quem podia brincar.

Por Luís Nassif

Março 18, 2007

JORNALISTAS DE TODO O BRASIL, PAUTEM-SE

A cada três anos os jornalistas brasileiros sindicalizados elegem, por voto direto, a diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). As próximas eleições ocorrerão em julho de 2007.

"E daí?", dirão alguns. Daí, diremos nós, é um ótimo momento para discutir a situação da nossa categoria: nossas condições de trabalho, nosso papel na sociedade, o tipo de jornalismo que temos sido obrigados a produzir. Uma ótima oportunidade para refletir sobre a entidade que nos representa no âmbito nacional, a Fenaj, e mudar suas feições e seus rumos.

O debate sobre o papel da mídia voltou a ganhar espaço na sociedade brasileira durante as últimas eleições presidenciais, e prosseguiu após a reeleição de Lula. Os grandes jornais, revistas, telejornais e radiojornais dedicaram reportagens ao programa de comunicação do governo Lula, ao futuro da Radiobrás, à questão da distribuição das verbas publicitárias. Mas, à exceção dos meios alternativos, quase nada se falou da danosa concentração da propriedade dos meios de comunicação, ou seja, do oligopólio da mídia, pilar do conservadorismo, fator de risco para a democracia, manipulando e distorcendo a informação ao sabor de suas conveniências.

O oligopólio determinou a escolha equivocada, pelo governo, do padrão japonês para o modelo de TV digital a ser implantado no país, estimula a repressão às rádios e TVs comunitárias e ataca toda e qualquer iniciativa que ponha em risco seus privilégios. Abriu uma larga avenida para a baixaria e outras práticas da chamada imprensa "marrom", enquanto jornalistas abnegados contrabalançam essa tendência e garantem, por seu esforço profissional, o que esses meios ainda apresentam de bom.

O oligopólio mudou o perfil do jornalista brasileiro. Fez de nós pouco mais do que escravos, submetidos a jornadas de trabalho exaustivas, salários rebaixados, "bancos de horas", contratos precários, desrespeito aos direitos autorais. Pior: embora trabalhadores intelectuais, somos proibidos, cada vez mais, de pensar por conta própria, de sermos sujeitos conscientes e livres para produzir e editar nossas pautas, textos, imagens.

Os lucros das empresas de comunicação têm crescido. O grupo Globo, líder do setor, tornou-se em 2005 a empresa brasileira com maior margem líquida de lucro: 92%! Isso quer dizer que, de cada 100 reais que a Globo recebe, tem lucro de 92 reais! Também em 2005, a Globo obteve o quinto maior lucro líquido entre todas as empresas brasileiras (superada apenas por Petrobras, CVRD, Usiminas e Telefônica): R$ 1,99 bilhão (Valor 1000, edição 2006, agosto de 2006, p. 42 e 40).

Tais lucros extraordinários devem-se, entre outros motivos, ao arrocho salarial imposto aos jornalistas e demais trabalhadores do setor. A TV Globo está oferecendo aos jornalistas um aumento real de 0,01%. As empresas aproveitam-se do enorme desemprego, que também atinge a nossa categoria, para aviltar o mercado de trabalho. Terceirizam, valem-se de estagiários como mão-de-obra barata ou mesmo gratuita, afrontam a regulamentação profissional.

No setor público nossa situação não é melhor. Nossos "patrões" nos poderes executivo, legislativo e judiciário, em todas as esferas, insistem em desconhecer nossa jornada legal e, como negá-lo?, até a nossa identidade profissional.

Superar as derrotas
A correlação de forças desfavorável para todos nós, jornalistas, não é uma realidade nova, mas agravou-se nos últimos anos. Por causa, entre outros fatores, do enfraquecimento generalizado do movimento sindical e da apatia que tomou conta de muitos sindicatos de jornalistas e da nossa federação. Aqui voltamos ao ponto de partida deste manifesto.

A Fenaj não tem conseguido, nas últimas gestões, sair do imobilismo. Seu núcleo dirigente insiste em isolar-se, em confinar-se "entre quatro paredes", sem abrir-se para abrigar diferenças de opiniões e democratizar a entidade, como um primeiro passo para a conquista da unidade dos jornalistas em torno de suas principais reivindicações.

A presente direção, em vez de apostar na organização dos jornalistas como instrumento de resistência e de luta contra os patrões, tem preferido as supostas facilidades dos conchavos e "negociações de cavalheiros". Esta foi uma das razões que a levaram a apostar na criação do Conselho Federal de Jornalistas (CFJ) como salvação, quase única, para todos os problemas da categoria. Esqueceu-se de outras alternativas, em especial de pensar em uma política consistente de fortalecimento dos sindicatos estaduais e municipais.

À exceção de um grupo de dirigentes sindicais, a proposta de criação do CFJ não chegou a conquistar a adesão da própria categoria, como indica o resultado de uma consulta realizada pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal. Manifestaram-se contra a proposta 57% dos jornalistas que votaram, nesse que é um dos maiores mercados de trabalho do país. Isso demonstra que a idéia do CFJ, para ser representativa, precisa passar por um amplo processo de debates e consultas aos jornalistas em todos os pontos do Brasil, tanto nos locais de trabalho como nas faculdades.

Isolada no debate público diante do violento ataque patronal, incapaz de traduzir para a sociedade a discussão sobre o papel social do jornalista e a importância do acesso à informação plural e de qualidade na construção de uma sociedade justa e democrática, a direção da Fenaj fracassou - e deixou sem rumo os sindicatos a ela filiados. Vários deles encontram-se sem prestígio e sem condições, políticas e financeiras, de lutar pelos seus representados.

Hora de mudar, hora de lutar
Foi para mudar este quadro e fortalecer a atuação dos jornalistas como categoria que, em 2004, a chapa Uma Outra Fenaj é Possível disputou as eleições da federação, obtendo um terço dos votos dos cerca de 5 mil jornalistas que foram às urnas. Nesse mesmo ano, durante o Congresso Nacional dos Jornalistas realizado em João Pessoa (PB), criamos o movimento "Luta Fenaj!".

Agora, em 2007, participaremos novamente das eleições, para dar um novo rumo à nossa entidade nacional. Vamos "brigar" para que o debate seja democrático! Vamos batalhar para que os jornalistas compareçam massivamente! Nossa federação é uma das poucas do país a promover eleições diretas, por determinação do estatuto. Este princípio democrático mantém abertas as chances de que a direção e a política da Fenaj sejam democratizadas, iniciando-se uma nova era no movimento sindical dos jornalistas. O "espírito de seita" dos atuais dirigentes precisa ceder lugar ao diálogo, mediante o voto expressivo da categoria, para que a Fenaj se torne uma entidade de todos os jornalistas.

Chega de conchavos! O método que propomos pressupõe o debate, a consulta ampla e permanente aos jornalistas de todos os segmentos, para buscar a unidade da categoria. Pressupõe que a Fenaj atue sempre de modo independente frente aos patrões, aos governos, aos partidos políticos. Pressupõe a máxima representatividade, pois falamos de uma entidade nacional. Pressupõe a necessária renovação: a chapa que submeteremos à categoria nas próximas eleições reunirá não só colegas experientes na luta sindical, comprometidos com nossas reivindicações, mas igualmente os jovens jornalistas.

Chega de apatia! Queremos a Fenaj mais próxima dos sindicatos, passando a voltar-se também para os pequenos sindicatos tão esquecidos pela atual direção. Mais preocupada em garantir aos jornalistas o exercício digno da profissão, a partir de uma regulamentação profissional consistente e adequada, independentemente do segmento em que atuem (assessorias de imprensa, rádio e televisão, jornais e revistas, faculdades de jornalismo, Internet), do tipo de patrão (iniciativa privada ou setor público), ou ainda da especialização (ilustradores, editores de arte, repórteres-fotográficos, repórteres-cinematográficos, professores e tantas outras), ou mesmo da região em que vivem e trabalham. Sejam recém-formados ou veteranos, da ativa ou aposentados.

Chega de fragmentação! Queremos uma Fenaj solidária e articuladora, que trabalhe rumo à unificação dos profissionais do setor de comunicação. Fracassaremos se não nos integrarmos aos diversos ramos da área, que não apenas produzem e veiculam informação, como são submetidos à mesma exploração, pelos mesmos patrões. Mais: queremos a Fenaj aliada à sociedade, somada aos movimentos populares na luta pela democratização da comunicação, presente na ação organizada dos trabalhadores brasileiros por seus direitos e reivindicações. Como parte da classe trabalhadora, e por ser a Fenaj filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), nos batemos contra a escandalosa desigualdade social.

O nome da entidade tem sido usado até para temas alheios à luta, como o projeto "Fenajprev", que consiste em confiar a um fundo privado (Petros) a previdência dos jornalistas, mediante adesão, a toque de caixa, dos sindicatos federados, sem debater o assunto com a devida cautela e atenção. Precisamos defender a Previdência pública. Em vez de desviar as energias da entidade para iniciativas paralelas, devemos avançar na luta sindical. (Em São Paulo, aventura similar ao "Fenajprev" levou o Sindicato dos Jornalistas a uma situação calamitosa. Um plano privado de saúde gerou um prejuízo de R$ 5 milhões.)

Em síntese: defendemos um perfil combativo e protagonista, que quebre o marasmo imperante na Fenaj até aqui, que seja capaz de reverter a lógica de autoritarismo e exploração que domina os locais de trabalho, que supere a apatia e desânimo dos jornalistas. Somos otimistas e seguimos em frente. Resistir é tarefa de cada um de nós - e você, colega que nos lê, é parte desse "nós". Contamos com seu apoio nesta luta que também é sua!
Por Luta Fenaj!

Março 17, 2007

MÍDIA NÃO FOI ISENTA NAS ELEIÇÕES

A sentença do coordenador de jornalismo do SBT, Luiz Gonzaga Mineiro, ecoou durante o seminário organizado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara Federal.

A atuação dos meios de comunicação nas eleições de 2006 ainda está dando o que falar. Não se apagou a chama acesa por reportagens - em veículos como a revista Carta Capital e nesta Carta Maior (leia matéria) que revelaram tramas, orientações de bastidores e condutas das direções de alguns dos mais poderosos veículos do País para amplificar os efeitos da chamada “crise do dossiê”, que acabou sendo determinante para levar o pleito presidencial para o segundo turno. O tema ganhou relevo novamente com a realização do Seminário “Mídia nas Eleições de 2006”, organizado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados, na última quarta-feira (13).

O proponente do evento, deputado Fernando Ferro (PT-PE), justificou a importância de manter a reflexão sobre a cobertura da grande mídia no País com dados do Observatório Brasileiro de Mídia (leia ). De acordo com a pesquisa citada por Ferro consolidada em 20/9, o tratamento dado pelos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo , Lula, o candidato, foi retratado de forma negativa em 65,7% das matérias, contra 21,4% oportunidades em que o tratamento foi positivo. No caso do candidato tucano Geraldo Alckmin, a situação apareceu invertdida: a abordagem positiva atingiu 50% das notícias; as citações negativas não passaram de 16,7%. Quando o objeto da matéria foi o presidente Lula, o percentual de matérias negativas diminuiu (33,3%), mas ainda superou de longe o de textos com tratamento positivo (13,3%).

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), a diferença de tratamento não se restringiu à disputa presidencial. O próprio Greenhalgh não conseguiu se reeleger para o Parlamento. Sofrera por ter atuado como advogado no caso do assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, do PT, envolto pelas especulações acerca de querelas políticas por trás do crime. “Embora tenha sido confirmado antes das eleições que foi um crime comum, nenhum jornal deu isso. Agora se a conclusão da Justiça fosse de que tinha havido motivação política, no outro dia era um escândalo em todas as páginas de jornal”, reclamou.

Na avaliação de Ricardo Pedreira, da Associação Nacional de Jornais (ANJ), os jornais brasileiros “tentaram trabalhar pela melhor cobertura possível nas eleições”. Para ele, é “natural” e sempre haverá críticas à cobertura da mídia em qualquer situação. No entanto, um próprio representante da chamada grande mídia, o coordenador de jornalismo do SBT, Luiz Gonzaga Mineiro, foi surpreendentemente franco: “A mídia não foi isenta nestas eleições. Tanto é que após a eleição os veículos abandonaram as denúncias, mostrando que era uma campanha”.

Também o jornalista Paulo Henrique Amorim, que apresenta programa na TV Record e mantém o sítio Conversa Afiada (no portal IG), foi taxativo e caracterizou os principais meios como veículos de oposição ao governo Lula. Segundo ele, uma pesquisa da Universidade de Harvard que identificou uma tendência que vai de encontro à pluralidade e ao contraditório entre os meios de comunicação tradicionais. Para se aproximar ainda mais do seu público-alvo, especialmente diante do quadro que não é exclusividade brasileira de queda nas vendas e na circulação, muitos veículos buscam ser cada vez mais "fiéis" às opiniões de seus leitores para "manter a clientela".

Outro motivo apontado por Amorim para este comportamento foi a falta de qualidade dos veículos de comunicação brasileiros. “Vivemos crise da qualidade da imprensa brasileira. A qualidade é péssima, sem falar da promiscuidade de não saber onde começa opinião e onde termina informação”, disse. Na avaliação dele, um exemplo deste processo é a ascensão da figura do “colunismo”, que transforma análise em opinião sempre dentro de acordo com o que as “orientações superiores” de cada empresa de comunicação permitem. Como exemplo, citou a colunista Miriam Leitão, que em seus comentários sobre economia no matinal Bom Dia Brasil, da TV Globo, expressa um ponto de vista muito claro. “Mas não é a minha visão e por que eu não posso expressá-la também?”, questionou.

Na opinião do experiente jornalista da Record, já exitem avenidas abertas (com perspectivas de se alargarem cada vez mais) para a quebra desse monopólio da palavra no ambiente das novas tecnologias. Amorim pontuou diversos casos em que informações divulgadas pela internet e por telefones celulares tiveram grande impacto em momentos cruciais de diferentes países. Amorim lembrou que já existem 47 milhões de internautas no Brasil e fez um apelo aos parlamentares para que não sejam aprovados projetos de lei obsoletos que reduzem o cenário da mídia a uma contenda apenas entre grandes redes de TV e, por conseguinte, tentam conter a expressão da pluralidade e da diversidade nesses novos meios.

Concentração
A razão apontada para a ausência de espaço para opiniões diferentes é a conhecida concentração de propriedade na mídia brasileira, sobretudo em Rádio e TV. Sobre o tema, o deputado Fernando Ferro apresentou dados do estudo “Os Donos da Mídia”, realizado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) que mostram a concentração da espinha dorsal do sistema de mídia do país (rádio, TV e jornais). Sozinhas, Globo, SBT, Bandeirantes, Record, CNT e Rede TV possuem 138 grupos afiliados e controlam 668 veículos, entre TVs, rádios, editoras, gravadoras, agências de notícias e provedores de Internet.

O vice-presidente de relações institucionais da Rede Globo, Evandro Guimarães, saiu da saia justa da constatação de oligopólio elogiando a situação da TV brasileira por seu caráter livre, aberto e gratuito e jogando para o capital internacional o foco de perigo de concentração. Segundo Guimarães, a principal ameaça hoje é a entrada dos grupos transnacionais de telecomunicações na produção de conteúdo, especialmente na TV aberta. José Guilherme Castro, da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço), criticou duramente o argumento do dirigente da Globo argumentando que a dimensão aberta e gratuita é garantia da Constituição, e não mérito das emissoras.

Para Castro, o discurso da ameaça do capital internacional é uma falácia dos grupos empresariais brasileiros, pois a Globo não teve nenhuma restrição, no caso da TV por satélite, em se unir com a News Corporation, um dos maiores conglomerados da área no mundo, para fundir a Sky e a DirectTV numa nova operadora que vai concentrar 98% do mercado desta modalidade de televisão. Na avaliação de Romário Schettino, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, para furar este “bloqueio” é preciso investir em mídias estatais, públicas e comunitárias que garantam alternativas de informação para a população.

A complexidade ficou mais patente no encerramento do seminário quando veio à baila a difícil barreira de ampliar esta reflexão, já que a própria mídia não se dispõe a fazê-la. “A mídia não discute a mídia. Quando é que a Globo vai fazer um debate sobre TV Digital, por exemplo?”, questionou José Guilherme Castro ao representante da emissora. O deputado Luiz Eduardo Greenhalgh endossou a dúvida lembrando que qualquer tipo de reflexão é sempre encarado como “censura” aos meios de comunicação. Ao final, o Ferro mostrou o tabu e bateu à porta. “Tem gente da imprensa que veio reclamar da realização deste seminário. Mas a Câmara não vai ficar refém da mídia e felizmente este debate está instalado no País”, declarou.
Por Maurício Hashizume.

O MERCADO JORNALÍSTICO BRASILEIRO

Está entrando em pauta pública um debate interessante. É sobre o mercado jornalístico brasileiro. Hoje, o ministro Tarso Genro fala nos jornais da necessidade de democratização da mídia. O jornalista Franklin Martins está sendo nomeado ministro da área de comunicação social do governo, tendo a responsabilidade de controlar também as polpudas verbas publicitárias do Estado. Muito bem!

O caso da recente transação comercial envolvendo o business milionário entre Rede Record (Igreja Universal) e o sistema Correio do Povo/Rádio e TV Guaíba, de Porto Alegre, é muito ilustrativo de tudo isso. Veja como é o caso: um negocista com dinheiro encontra outro negocista dono de um sistema qualquer de comunicação social e lhe propõe uma ação de compra e venda que envolva a transferência de propriedade de bens e concessões para o endinheirado. Fechado o negócio, este paga aquele, e passa a explorar de forma absolutamente comercial (e também de modo político-eleitoral) o objeto negocial, como se fora um patrimônio como qualquer outro.

Aí está o busílis. Não é.

Um sistema de comunicação social não é um patrimônio como qualquer outro. Pela lei brasileira é uma concessão pública. Se aquele que a explora não quer mais, por qualquer motivo, deve devolvê-la (a concessão) ao Estado. Não pode vendê-la, aliená-la, como quem vende batatas, borzeguins ou terrenos na praia.

O business do "bispo" Edir Macedo com a família Ribeiro (ex-donos do Sistema CP/Guaíba) é um escândalo, uma aberração jurídica, e um atentado à democracia e ao espírito republicano. Mais: é ilegal e antiético.

O debate que o governo Lula está provocando nos serve, inclusive com a possível criação de uma rede de televisão pública horizontal, democrática e de qualidade. É preciso abrir já essas caixas-pretas da mídia brasileira, eterna fonte de poder usurpado, mandonismo, abrigo de farsantes, golpistas e aproveitadores do Estado.
Fonte: Blog Diário Gauche

Março 14, 2007

A SOCIEDADE PRECISA SABER QUE NEM TUDO QUE ESTÁ NOS JORNAIS É VERDADEIRO

O jornalista como historiador do cotidiano e a importância da crítica da mídia para o ensino fundamental, médio e superior, bem como para as comunidades, são temas da entrevista com Graça Caldas. Jornalista, seu currículo registra passagens pela Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e pela Coordenação do curso de jornalismo da Universidade Metodista (SP), onde atualmente coordena a linha de pesquisa Mídia e Poder, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação. Graça Caldas é uma das entrevistadas da revista MídiaComDemocracia nº 5, que circulará na segunda quinzena deste mês. Reproduzimos neste e-Fórum a íntegra de sua entrevista.

Existe um debate que trata da leitura crítica da mídia e discute se esse tipo de estudo deveria ser abordado em uma disciplina curricular ou em várias disciplinas do ensino fundamental?

Graça - Há cerca de dois anos, na reunião de Direitos Humanos no Brasil, houve o reconhecimento do papel da comunicação, o acesso à informação e à informação crítica e analítica como perspectiva de direitos humanos, direito para a cidadania.
Nos cursos de graduação de jornalismo várias faculdades já estão adotando a disciplina chamada crítica da mídia ou leitura crítica da mídia. E também instituições como prefeituras e faculdades em geral estão desenvolvendo disciplinas dessa natureza voltadas para professores do Ensino Fundamental, porque os eles costumam utilizar a mídia na sala de aula em função da atualidade, como se tudo que estivesse escrito e televisionado fosse verdade. Há uma preocupação de vários estudiosos de que essa leitura seja feita com a perspectiva de entender o processo de produção, como a mídia é elaborada, a quem pertence os veículos de comunicação, como funcionam os processos de concessão de rádio e televisão. Mais recentemente, a campanha contra a baixaria na televisão tem auxiliado nessa discussão.

Você acredita que a crítica da mídia deveria fazer parte do Ensino Fundamental?

Graça - Acredito que sim, aliás, o Ensino Fundamental deveria ter muitas outras disciplinas. Já se conseguiu pela legislação, através de nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), colocar a Educação Ambiental no currículo. A educação para a mídia seria fundamental se nós pudéssemos trabalhar em todas as séries, do Ensino Fundamental ao Médio. Se o papel da mídia for discutido na sala de aula cria-se também a possibilidade de discutir o papel do indivíduo enquanto ser político. Só assim para se conquistar a cidadania ativa, para transformar a sociedade.

Há iniciativas que também visam atingir o público em geral?

Graça - Existem algumas iniciativas com relação à criação de conselhos municipais. As tentativas que tem sido pior sucedidas são os Conselhos Municipais de Comunicação, exatamente porque eles surgem, na maioria das vezes, em ações dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), mas surgem do Poder Público. Este deveria ser só um parceiro. O conselho deveria surgir dos interesses de grupos organizados da sociedade civil, por que, caso contrário, com a modificação das prefeituras, do partido que estiver no poder, as discussões sobre políticas públicas de comunicação não têm seguimento.

E como está o Brasil em relação a outros países?

Graça - Está muito mal, embora os levantamentos das últimas eleições tenham mostrado que a mídia, chamada grande imprensa, não decidiu as eleições. Isso traz uma nova perspectiva, pois se os grandes meios de comunicação se colocaram francamente favoráveis ao retorno do governo do PSDB e não conseguiram vencer as eleições, isso de alguma maneira demonstra que a sociedade civil como um todo está mais atenta aos movimentos políticos que ocorrem nas suas cidades, suas regiões, os sindicatos, as associações de classe. É semelhante àquilo que ocorreu nos anos 1960, com as comunidades eclesiais de base, no momento em que a igreja católica tinha uma atuação muito ativa pró-retorno da democracia no período da ditadura militar. Estamos vivendo um novo momento, esse momento é muito importante pela convergência da mídia, com a chamada TV digital.

E no caso das disciplinas que integram os currículos das faculdades de comunicação? Em geral as instituições incluem o tema em seu currículo?

Graça - Eu não conheço todas, mas na época em que fui coordenadora do curso de comunicação, na Universidade Metodista, nós criamos a disciplina Crítica da Mídia e isso faz seis anos. A PUC Campinas também tem essa discussão, mas não sei se como disciplina. O ideal é que se tenha uma disciplina específica para discutir o tema, como faz o Observatório da Imprensa, o Instituto Gutemberg, porque já foi criada uma Rede Nacional de Observatórios de imprensa, o Renói, no qual a idéia é estimular a criação dessa disciplina formalmente nas escolas de comunicação. Isso tem sido discutido nos encontros de professores de Jornalismo. A importância do professor em sala de aula ter uma visão política do mundo, não partidarizar, mas politizar a sala de aula, porque esses alunos de comunicação vão estar no comando da mídia daqui a algum tempo. Se eles não têm uma visão crítica da mídia, se eles não entendem a influência que a mídia tem na formação ou deformação do cidadão, vai se preocupar apenas com a informação factual, não vai entender que a informação não é objetiva, ela é manipulada para o bem ou para o mal, e que existem interesses, o que é natural para um regime capitalista. Porém cabe ao bom editor ou ao bom jornalista ocupar as brechas que o sistema oferece, para tentar reagir a ele de uma maneira inteligente.

Qual foi a palestra que você fez no encontro de professores?

Graça - Fiz uma conferência para o 2º Fórum Estadual de Professores de Jornalismo, na Mackenzie, em São Paulo, sobre formação de jornalistas. Existe uma imagem sobre o patrão do jornalista perante a sociedade, que tudo que o jornalismo diz é verdadeiro, absoluto. Isso começou na época da máquina de escrever, a “pretinha”, dizia-se que tudo que saiu na pretinha era verdade, quando a gente sabe que isso precisa ser rediscutido. É preciso discutir o discurso jornalístico, como se constrói a narrativa, discutir que a partir da percepção de mundo que o jornalista tem, ele escreverá desta ou daquela maneira, independente de partidos políticos. Eu defendo que o jornalista tem um papel fundamental como historiador do cotidiano, se ele entende isso acaba reconhecendo a responsabilidade social que possui na construção da história.

Esse objetivo final da crítica da mídia, que consiste em tornar o cidadão capaz de ter um outro olhar sobre a mídia, pode ser feito também através da comunicação comunitária?

Graça - Com certeza, mas não é o suficiente. A comunicação comunitária tem crescido e é fundamental, porém depende do que é entendido como comunicação comunitária. As rádios e TVs comunitárias são importantes, mas têm pouco espaço em termos de repercussão por que são boicotadas o tempo todo pelos proprietários de canais de Rádio e TV. Se entendermos que a comunicação comunitária vai além do que a Lei do Cabo propiciou, de trazer comunicação formal gerada comunitariamente, posso discutir isso na escola, entrevistar personagens do bairro, fazer o jovem que poderia ir para a marginalidade entender o papel da informação. Acho que todos devem ampliar o que entendem como mídia comunitária. Estudantes de comunicação sob orientação dos professores da faculdade e ao lado dos professores do ensino fundamental podem ter práticas comunicativas, eles podem construir muito em termos de cidadania, ou seja, saber onde vivo, o que eu faço, como eu me posiciono em frente aos problemas da minha cidade, do meu bairro.

Entrevista a Laura Schenkel
Fonte: www.fndc.org.br

POR QUE NÃO CRITICO LULA

Um dos males extremos causados pela campanha anti-Lula da mídia é o de que ela o coloca acima de críticas. O que está acontecendo hoje no Brasil emula um fenômeno descrito pelo músico e maestro Sergei Sergeyevich Prokofiev em 1936, em sua sinfonia "Pedro e o Lobo". A sinfonia narra a história de um garoto que gostava de assustar as pessoas. Ia para o campo e começava gritar por socorro dizendo que estava sendo atacado por um lobo. Quando os habitantes de seu povoado iam socorrê-lo, caía na gargalhada. Fez a brincadeira várias vezes e, quando foi realmente atacado pela fera e pediu ajuda, ninguém lhe deu bola.

A mídia ataca tanto e tão gratuitamente o governo Lula, seu titular e seu partido que, quando tem alguma crítica relevante a lhes fazer, ninguém dá bola.

A situação é muito ruim para o país. Os cidadãos apartidários, que desejam apenas que os meios de comunicação nos mostrem o que está acontecendo e não o que os que se crêem donos do país querem que nos digam que está acontecendo, não podem endossar nenhuma crítica desses meios contra o governo, porque está claro que eles atuam como prepostos da oposição, porém tentam enganar o público dizendo-se apartidários. Dessa forma, uma parte da sociedade que não tem vinculações político-partidárias, mas que não quer colaborar com um processo espúrio, tem que aturar inúmeros erros do governo sem dizer nada, para não inflar a bola de um grupo político golpista e antidemocrático, porém muito poderoso.

Tenho várias queixas do governo Lula. Gostaria de fazê-las, porém de forma que contribuíssem para que ele se aprimorasse. Não quero que minhas críticas sejam empilhadas junto com a montanha de críticas espúrias, ladinas, mal-intencionadas que fazem. Minhas críticas ao governo Lula são construtivas. E algumas são até indignadas. Por exemplo, é um absurdo que o governo permita aos bancos assaltarem seus clientes com tarifas e taxas malandras, que fazem dessas instituições verdadeiras arapucas para tomar dinheiro das pessoas sem darem nada em troca.

A crítica que faço não leva em conta que o poder político do sistema bancário brasileiro é muito forte e que é isso que intimida o governo. Se Lula baixasse um decreto moralizando a cobrança de tarifas pelos bancos - se é que o presidente tem poder para tanto -, no dia seguinte, a mesma imprensa que o acusa de permitir que eles lucrem demais, estaria acusando-o de copiar Hugo Chávez, de pretender transformar o Brasil em Cuba etc. O mesmo aconteceu há pouco, durante a visita de George Bush ao Brasil: a mesma imprensa que dizia que o governo Lula era antiamericano, quando ele se reuniu com Bush para dialogar, o acusou de entreguista e de submisso aos americanos...

Em suma, o que acontece é que a imprensa me retira o direito e me impede de cumprir meu dever de criticar no governo Lula o que há para criticar. Tenho que agir como um partidário para não me tornar um colaborador involuntário de uma campanha orquestrada de desmoralização do presidente da República, de seu governo e de seu partido que não visa, em nenhuma hipótese, o interesse público e, sim, interesses corporativos de uma elitezinha minúscula que oprime este povo e este país desde o Descobrimento. É simples assim a razão pela qual não critico o que há para criticar no governo.
Por Eduardo Guimarães

Março 13, 2007

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO

Uma das coisas que mais me impressiona hoje em dia é o poder que os organismos ocidentais de informação têm de persuadir as pessoas.
Claro que quanto mais respaldado o organismo e o autor da matéria, maior é o seu o poder de ilusão.

Matéria da capa de dois jornais locais aqui do interior do ceará:
“Prefeito manda asfaltar a via litorânea trazendo benefício turístico à cidade”.

E no outro de oposição:
“Prefeito asfalta a via litorânea causando transtorno à população”.

Outra: “Presidente Lula diz que a relação com os EUA está quase chegando ao ponto G”.

E: “Presidente Lula faz associação a anatomia sexual feminina, durante encontro...”

Raul dizia em sua canção: “Prefiro ser, essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Eu não. Tenho por hábito analisar toda e qualquer informação que recebo, seja de jornais, livros, revistas, rádios ou televisão, para depois verificar sua veracidade, meia verdade, ou nenhuma. E não é difícil. Primeiro verifico a fonte, depois analiso a quem de fato interessa a matéria e só então - após analisar outras fontes alternativas - é que aceito ou não. Um amigo meu, durante um almoço de trabalho, disse-me como era difícil morar em Cuba. “Um país não pode viver quarenta anos na mão de um regime só e de uma só pessoa” - disse-me ele. Depois sobre os muçulmanos: “São terroristas terríveis, o povo dessa religião”. Vale salientar que esse amigo é formado, culto e tem condições de se informar em outras fontes, mas é uma questão cultural, acreditar em tudo que a mídia branca publica.

Tem gente que jura que Bush é o salvador da humanidade, por aí você tira.
Creio que isso é uma característica primitiva, acreditar em tudo que está escrito. A escrita exerce um poder impressionante sobre os homens, desde que os persas a desenvolveram. Boa semana a todos e a todas.

Fonte: Bodega Cultural

Patrulha Ideológica

Recentemente a revista Veja junto com a Globo vêm travando uma guerra ideológica e patrulhamento dos livros didáticos que são distribuídos gratuitamente aos alunos pelos governos. A "denúncia" surgiu quando uma mãe disse que o livro da filha tinha conotações politico-ideólogicas marxistas e que isso ela não aceitava. A revista Veja, como era de se esperar, veio com a reportagem e a partir daí o diretor de "jornalismo" da Globo Ali Kamel se juntou ao coro anti-subversivo desses livros.
Os artigos de Kamel e de outros reacionários de plantão que acreditam no que ele e a Veja escrevem fez parecer que voltamos na era do macarthismo. O macarthismo ficou conhecido como a época em que o senador dos EUA Joseph McCarthy perseguia e denunciava qualquer um que ele achasse ter vínculo ou idéias que simpatizavam com o comunismo as quais eram chamadas de subversivas e que foi muito bem retratado no filme de George Clooney chamado Boa Noite Boa Sorte (Good Night Good Luck).

Kamel escreveu e pediu o cancelamento da distribuição dos livros de história que continham "erros" sobre assuntos como o período maoísta na China (o livro não dizia que Mao era responsável pelo assassinato de milhões de chineses), sobre o "sagrado" sistema capitalista e acusou o governo brasileiro de tentar doutrinar os alunos com tal ideologia esquerdista. A partir disso, o jornalista Luis Nassif entrou na discussão e apresentou a verdadeira intenção de Kamel que era a de favorecer a editora que pertence a Globo que teria perdido uma fatia dos milhões de reais que os governos destinam para a compra desses livros.

Vale lembrar que esse livro referido por Kamel fazia 10 anos que estava em circulação e que recentemente já teria sido reprovado e suspendido pela avaliação do MEC e de professores. Quem faz a seleção dos livros didáticos são o MEC e os professores das áreas referidas, portanto, não teria nenhuma interferência do governo na escolha, mas sim pura paranóia guerra fria de Ali Kamel.

Sou professor eventual de biologia da rede pública e já vi alguns livros que são distribuídos que continham muitos erros, mas se eu vou dar aula e os alunos possuem o livro, com certeza identificarei tais erros e corrigirei com os alunos. O mesmo vai ser feito pelos professores de história, pois se o livro tiver tais imprecisões históricas o professor vai saber corrigir isso com os alunos e pronto. Não precisa fazer tempestade em copo d´água como esta fazendo Kamel e seus patrulhas do CCC (comando de caça aos comunistas que existiu na época da ditadura brasileira) na imprensa. Qual será a verdade que Kamel quer que seja passada aos alunos da rede pública? Vai ver seria melhor os professores de história e geografia deixarem de lado esses livros para usar a revista Veja e o jornal O Globo onde Ali Kamel escreve suas asneiras, na sala de aula.

Não sei o porque do alarde de Kamel e outros com medo de isso "contaminar" a mente dos alunos e como ultimamente uma escritora aqui de Piracicaba escreveu que o "mal já foi feito". Que mal seria esse? Seria o mal de ter alunos contestadores do sistema tornando-os subversivos?
Garanto que esses 10 anos que o livro circulou nas escolas, não se formou grupos de estudantes Maoístas revolucionários tentando acabar com o sistema capitalista e nem fez aumentar a filiação do partido comunista no Brasil. Assim os alunos se interessassem e lêssem os livros com o intuito de formar uma ideologia, pois quem sabe assim não teríamos alunos tão apáticos como hoje em dia.

Enfim, essa discussão ainda esta dando o que falar e nada vai adiantar mais uma vez a imprensa vir com mais essa retórica anti-esquerda que adota diariamente para também tentar interferir no processo educacional tentando doutrinar até os professores com essa paranóia.